Jesus não estava dizendo que devemos fingir que nada é errado. Ele estava nos ensinando a não condenar os outros com hipocrisia, arrogância ou dureza, como se nós mesmos não precisássemos da misericórdia de Deus.
O contexto ajuda a entender isso. Depois de dizer “Não julgueis”, Jesus fala de alguém que percebe um pequeno problema no olho do irmão, mas não enxerga um problema muito maior no próprio olho. Primeiro, essa pessoa precisa cuidar do que há de errado em si mesma. Só então poderá ajudar o irmão a enxergar melhor (Mateus 7:1-5). Repare: Jesus não diz que devemos ignorar o problema do outro. Ele diz que precisamos deixar a hipocrisia de lado antes de tentar ajudá-lo.
Isso não significa que seja errado distinguir o bem do mal. No mesmo ensino, Jesus alerta seus seguidores sobre falsos profetas e diz que é possível reconhecê-los pelo que fazem (Mateus 7:15-20). Em outra ocasião, ele ensina que não devemos julgar pela aparência, mas avaliar com justiça (João 7:24). Portanto, a questão não é *se* podemos avaliar uma atitude ou um ensinamento. É como fazemos isso.
Há uma grande diferença entre dizer, com base no que a Bíblia ensina, que uma atitude é pecado e tratar a pessoa que a praticou como se não tivesse valor ou esperança. Também há diferença entre saber o que aconteceu e tirar uma conclusão apressada, sem ouvir os fatos (Provérbios 18:13). E, quando criticamos alguém por um pecado que nós mesmos praticamos, acabamos mostrando nossa própria incoerência (Romanos 2:1).
Isso vale especialmente quando um cristão precisa conversar com outro sobre algo errado. A orientação bíblica não é humilhar nem espalhar o assunto. Jesus ensina a procurar a pessoa primeiro em particular (Mateus 18:15). Paulo diz que a restauração deve ser feita com mansidão e que quem ajuda também precisa vigiar a si mesmo (Gálatas 6:1). O objetivo é ajudar a pessoa a reconhecer o erro e se corrigir, não ter o prazer de apontá-lo.
Então, “Não julgueis” não quer dizer “nunca diga que algo está errado”. Quer dizer: não faça de si mesmo um juiz arrogante dos outros. Examine a própria vida, procure entender os fatos, avalie as coisas à luz do que Deus ensina e, quando precisar corrigir alguém, faça isso com verdade, humildade e amor.