Paulo estava corrigindo uma divisão na igreja de Corinto. Alguns cristãos se orgulhavam de seguir Paulo; outros preferiam Apolo. Em vez de aprender com esses homens, estavam comparando um com o outro e se achando melhores por causa do líder que admiravam. É nesse contexto que Paulo diz pra não ultrapassarem o que está escrito. O próprio versículo explica o resultado que ele queria evitar: que alguém se enchesse de orgulho a favor de um líder e contra outro (1 Coríntios 4:6).
Mas o que seria “o que está escrito”? Paulo não explica exatamente quais textos tinha em mente. Pode estar se referindo às passagens das Escrituras que já havia citado na carta. Nelas, ele mostrou que a sabedoria humana não é motivo de orgulho diante de Deus e que qualquer motivo pra alguém se orgulhar deve estar no Senhor, não em pessoas (1 Coríntios 1:19, 31; 3:19-20). Por isso, não dá pra afirmar com certeza que Paulo estivesse formulando, nesse versículo, uma regra sobre todas as questões da vida cristã. O assunto imediato era o orgulho e a rivalidade dentro da igreja.
A ideia fica mais clara quando vemos como Paulo fala de si mesmo e de Apolo. Eles não eram chefes de grupos concorrentes. Eram servos por meio dos quais os coríntios haviam conhecido a mensagem de Cristo. Cada um tinha feito seu trabalho, mas era Deus quem fazia a igreja crescer (1 Coríntios 3:5-7). Então não fazia sentido usar o nome de um deles pra se colocar acima dos outros.
Esse ensino também nos ajuda hoje. É bom aprender com pastores e professores, mas nenhum deles deve ocupar o lugar que pertence a Cristo. Quando admiramos tanto uma pessoa que passamos a defendê-la mesmo contra o ensino das Escrituras, ou a desprezar outros cristãos por não segui-la, repetimos o erro que Paulo estava corrigindo.
Portanto, em 1 Coríntios 4:6, “não ultrapassem o que está escrito” é, antes de tudo, um chamado pra deixar que as Escrituras corrijam nossa maneira de pensar sobre os líderes cristãos. Elas não nos dão motivo pra transformar servos de Deus em motivo de disputa ou de orgulho.