Davi estava pedindo a Deus: “Fica perto de mim e vem me ajudar.” Ele não estava falando de distância física, como se Deus pudesse estar em outro lugar. Estava sofrendo, não via uma resposta e precisava saber que não enfrentaria aquilo sozinho.
O próprio versículo explica a urgência do pedido: a aflição estava próxima, e não havia ninguém que pudesse ajudá-lo (Salmo 22:11). Pouco antes, Davi lembra que dependia de Deus desde o nascimento (Salmo 22:9-10). É como se dissesse: “Tu cuidaste de mim até aqui. Não me deixes sem ajuda agora, quando mais preciso de ti.”
Essa oração nasce de uma dor real. No começo do salmo, Davi pergunta por que Deus parece tê-lo abandonado. Mais adiante, volta a pedir que o Senhor não fique longe e se apresse em socorrê-lo (Salmo 22:1-2, 19). Ele não está escondendo o que sente. Está levando sua angústia justamente a Deus, de quem espera ajuda.
O fim do salmo ajuda a entender isso. Davi reconhece que Deus não ignorou o sofrimento do aflito, mas ouviu seu pedido de socorro (Salmo 22:24). A sensação de que Deus estava distante não era o fim da história.
Jesus também usou as palavras iniciais desse salmo quando sofreu na cruz (Mateus 27:46). Por isso, o Salmo 22 nos ajuda a entender que clamar a Deus em meio à dor não é falta de fé. Quando a ajuda parece demorar, podemos falar com sinceridade e pedir, como Davi: “Não te distancies de mim.”