Jesus não estava dizendo que existem pessoas indignas de ouvir sobre Deus. Ele estava ensinando que, quando alguém mostra desprezo pela mensagem e reage com hostilidade, não precisamos insistir na mesma conversa a qualquer custo.
Em Mateus 7:6, Jesus fala de dar algo santo aos cães e de jogar pérolas aos porcos. A comparação é simples: os animais não reconheceriam o valor do que receberam. Poderiam pisar naquilo ou até atacar quem lhes ofereceu. Jesus usa essa cena para ensinar seus discípulos a tratar com cuidado aquilo que é precioso.
O contexto ajuda a evitar um mal-entendido. Pouco antes, Jesus condena o julgamento hipócrita: a pessoa vê o erro do outro, mas ignora o próprio (Mateus 7:1-5). Logo depois, porém, ele ensina que seus seguidores precisam perceber como os outros estão reagindo. Não julgar com arrogância é diferente de não ter discernimento.
Isso vale especialmente ao falar do evangelho. A boa notícia sobre Jesus deve ser anunciada, e uma pergunta difícil ou uma discordância sincera não são motivo pra desistir de alguém. Mas, se a pessoa deixa claro que não quer ouvir e passa a desprezar a mensagem ou a atacar quem fala, continuar insistindo pode não ajudar. Às vezes, o mais sensato é encerrar a conversa com respeito e dedicar atenção a quem está disposto a ouvir.
Jesus deu uma orientação parecida quando enviou seus discípulos: se não fossem recebidos nem ouvidos, deveriam seguir adiante (Mateus 10:14). Paulo fez isso em Corinto. Depois de encontrar forte oposição na sinagoga, passou a anunciar a mensagem em outro lugar — bem perto dali (Atos 18:6-7). Ele não abandonou a pregação; apenas deixou de insistir com aquele grupo.
Portanto, Mateus 7:6 não é licença pra desprezar pessoas ou decidir antecipadamente quem merece ouvir sobre Jesus. É um chamado à humildade e à sabedoria: oferecer a mensagem com amor, dar espaço pra perguntas honestas e reconhecer quando insistir só vai aumentar a hostilidade.