Os não conformistas eram cristãos protestantes da Inglaterra que se recusavam a seguir as regras de culto e organização impostas pela Igreja da Inglaterra, a igreja oficial do país. Eles não formavam uma única igreja e não concordavam em tudo. O que tinham em comum era a decisão de não se ajustar às exigências da igreja estatal quando entendiam que elas contrariavam suas convicções.
Essa diferença ganhou consequências sérias em 1662. Naquele ano, a Lei da Uniformidade exigiu que os ministros da Igreja da Inglaterra seguissem o *Livro de Oração Comum* e aceitassem outras regras oficiais. Muitos se recusaram e perderam seus cargos. Outros protestantes, que já cultuavam fora da igreja oficial, também enfrentaram restrições. Entre os nomes conhecidos desse período está John Bunyan, autor de *O Peregrino*, que foi preso por pregar sem a autorização exigida.
A história, porém, não começou em 1662. Já havia ingleses que desejavam mudar mais profundamente a Igreja da Inglaterra, e outros que acreditavam ser necessário se separar dela. Alguns desses separatistas emigraram pra América antes mesmo da Lei da Uniformidade; entre eles estavam os chamados peregrinos. Mais tarde, grupos como batistas, presbiterianos, congregacionais e quakers fizeram parte da história da dissidência inglesa. Suas diferenças eram importantes: discordavam, por exemplo, sobre batismo, liderança da igreja e modo de realizar os cultos. Por isso, “não conformista” não é o nome de uma denominação com uma doutrina única.
A questão por trás dessa história é: até onde vai a obrigação de obedecer a uma autoridade? A Bíblia ensina os cristãos a respeitar as autoridades civis e os líderes da igreja (Romanos 13:1-5; Hebreus 13:17). Mas também mostra que obedecer a Deus vem em primeiro lugar quando uma autoridade exige algo contrário à vontade dele. Foi assim que os apóstolos explicaram sua recusa em parar de falar sobre Jesus (Atos 5:27-29).
Isso ajuda a entender a decisão dos não conformistas, sem presumir que todos estavam certos em cada discordância. Nem todos defendiam a separação completa entre igreja e Estado. O ponto comum era mais específico: eles não aceitavam que a igreja oficial determinasse práticas que, segundo sua compreensão da Bíblia e de sua consciência diante de Deus, não deveriam seguir.