Jesus disse isso porque sabia que estava prestes a enfrentar a cruz. Ele não queria passar pelo sofrimento que vinha pela frente, mas estava decidido a cumprir a vontade do Pai. Sua oração no jardim do Getsêmani mostra as duas coisas ao mesmo tempo: uma angústia verdadeira e uma obediência verdadeira.
Pouco antes de ser preso, Jesus pediu ao Pai que, se fosse possível, afastasse dele aquele “cálice”. Na Bíblia, o cálice pode representar uma experiência dolorosa que alguém terá de enfrentar. Ali, Jesus falava do que o aguardava: sua prisão, sua morte e o peso de morrer pelos pecados de outros (Lucas 22:42; 1 Pedro 2:24). Ele sabia o que estava para acontecer. Por isso, não fingiu que tudo seria fácil. Segundo Marcos 14:34, contou aos discípulos que estava profundamente triste.
Quando Jesus disse “não se faça a minha vontade, mas a tua”, isso não quer dizer que ele quisesse desobedecer ao Pai. O desejo de não sofrer não é pecado. Jesus estava expressando com sinceridade o que sentia diante da morte e, ao mesmo tempo, escolhendo obedecer. A Bíblia apresenta Jesus como alguém que foi tentado, mas não pecou (Hebreus 4:15).
Também não significa que o Pai e o Filho tivessem missões diferentes. Jesus havia dito que veio pra fazer a vontade daquele que o enviou (João 6:38). No Getsêmani, porém, cumprir essa missão tinha um custo imediato e terrível. A oração mostra que ele não foi à cruz sem sentir o peso dela. Ele se entregou voluntariamente, mesmo sabendo quanto sofreria.
Isso ajuda a entender algo importante sobre a oração. Jesus falou abertamente com o Pai sobre o que desejava, mas não exigiu que o sofrimento fosse afastado. Ele confiou no Pai e permaneceu fiel ao propósito pelo qual tinha vindo. Nós também podemos contar a Deus nossos medos e pedir que ele nos livre de uma situação difícil. Orar para que a vontade dele seja feita não exige esconder o que sentimos; significa confiar nele mesmo quando a resposta não for a que esperávamos.