A Bíblia não usa a expressão “nacionalismo branco”, mas nos dá princípios claros pra avaliar essa ideia. Nenhum povo tem mais valor diante de Deus por causa da cor da pele ou da sua origem. Por isso, quando alguém defende que pessoas brancas devem ter mais direitos, mais poder ou um lugar privilegiado numa nação *por serem brancas*, essa ideia entra em conflito com o ensino bíblico.
Desde o começo, a Bíblia apresenta todos os seres humanos como criados à imagem de Deus (Gênesis 1:26-27). Esse valor não depende de aparência, nacionalidade ou família. Paulo também ensina que Deus fez de uma só origem todos os povos da terra (Atos 17:26). Temos histórias e culturas diferentes, mas ninguém pertence a uma humanidade superior.
Isso não quer dizer que toda preocupação com a cultura de um país, suas leis ou sua política de imigração seja racismo. Cristãos podem discordar sobre essas questões. A diferença está em como as pessoas são tratadas e por quê. É possível discutir leis e políticas sem desprezar ninguém. O problema começa quando a cor da pele se torna motivo pra considerar alguém mais digno de pertencer a um país, de ser ouvido ou de receber justiça.
Jesus mandou amar o próximo como a nós mesmos (Marcos 12:31). E ele mostrou, na parábola do bom samaritano, que “próximo” não significa apenas alguém do nosso próprio povo ou grupo (Lucas 10:25-37). Tiago também condena o tratamento desigual dado às pessoas por causa de distinções humanas (Tiago 2:1-9). Esses ensinamentos não deixam espaço pra justificar desprezo, discriminação ou violência racial.
A própria história da igreja ajuda a entender isso. Pedro precisou aprender que não deveria tratar pessoas de outros povos como impuras ou inferiores. Ao reconhecer a ação de Deus na vida de Cornélio, um homem de fora do povo judeu, ele entendeu que Deus não mostra favoritismo por nacionalidade (Atos 10:28, 34-35). Paulo, por sua vez, ensinou que judeus e não judeus que creem em Jesus pertencem ao mesmo povo de Deus (Efésios 2:14-19). Eles não precisavam ter a mesma origem pra serem irmãos.
Isso não apaga as diferenças entre os povos. Em Apocalipse 7:9, a visão de uma grande multidão adorando a Deus inclui pessoas de todas as nações, tribos, povos e línguas. A diversidade delas não é apresentada como um problema a ser corrigido.
Portanto, a Bíblia não oferece base pra colocar a identidade branca acima da dignidade de outras pessoas, nem pra usar o cristianismo como justificativa pra superioridade racial. Todos pecaram e todos precisam da graça de Deus (Romanos 3:23). A salvação é oferecida por meio de Jesus Cristo, não de uma origem étnica (Efésios 2:8-9). E quem percebe em si preconceito ou ódio não precisa fingir que isso não existe: pode se arrepender, pedir perdão a Deus e aprender a tratar os outros como pessoas que ele criou e ama.