Nabucodonosor II foi o rei da Babilônia que conquistou Jerusalém e levou muitos habitantes de Judá para o exílio. Ele governou por volta de 605 a 562 a.C. Na Bíblia, sua história aparece principalmente em 2 Reis, Jeremias e Daniel.
Naquela época, Judá era o reino onde ficava Jerusalém e o templo. Seus reis ficaram sujeitos à Babilônia, mas se rebelaram. Em 597 a.C., Nabucodonosor tomou Jerusalém e levou cativos para a Babilônia o rei Joaquim e outras pessoas, entre elas membros da família real e trabalhadores especializados (2 Reis 24:10-16). Anos depois, durante outra rebelião, os babilônios voltaram. Jerusalém foi destruída, o templo foi queimado e mais pessoas foram levadas para o exílio. Isso aconteceu por volta de 586 a.C. (2 Reis 25:1-12).
Esse é o lado mais doloroso da história de Nabucodonosor. Jeremias explica que Deus usou o rei da Babilônia para julgar Judá, que havia persistido na idolatria e desobedecido às advertências dos profetas (Jeremias 25:4-11). Isso não quer dizer que Nabucodonosor fosse um homem justo, nem que Deus aprovasse tudo o que ele fazia. Quer dizer que Deus continuava no controle mesmo diante do poder de um império estrangeiro.
O livro de Daniel mostra Nabucodonosor de outro ângulo. Daniel e seus amigos estavam entre os jovens levados para a Babilônia. Ali, o rei teve um sonho que seus sábios não conseguiam explicar. Deus revelou a Daniel tanto o sonho quanto seu significado: o poder de Nabucodonosor era grande, mas não duraria para sempre. Outros reinos viriam depois do seu (Daniel 2). O rei reconheceu que o Deus de Daniel havia revelado aquele mistério.
Mais tarde, Nabucodonosor mandou erguer uma grande imagem de ouro e exigiu que as pessoas se curvassem diante dela. O texto não diz que a imagem representava o próprio rei. Três amigos de Daniel se recusaram a adorá-la, e Nabucodonosor os lançou numa fornalha. Quando Deus os preservou, o rei reconheceu publicamente que o Deus deles tinha poder para salvá-los (Daniel 3).
O episódio mais pessoal vem em Daniel 4. Nabucodonosor se orgulhava de sua grandeza. Depois de receber uma advertência, passou por um período de humilhação em que perdeu a capacidade de governar e viveu de maneira semelhante à de um animal. O texto fala em “sete tempos”, sem deixar completamente claro como medir esse período. Quando recuperou o entendimento, reconheceu que seu reino dependia de Deus e que Deus pode humilhar os orgulhosos (Daniel 4:28-37).
Então, Nabucodonosor mudou de vida e passou a adorar somente o Deus de Israel? A Bíblia registra suas palavras de reconhecimento e louvor, mas não conta o suficiente pra afirmar com certeza tudo o que aconteceu com sua fé depois disso. E quando Jeremias o chama de servo de Deus, está falando do papel que ele cumpriu nos planos de Deus, não declarando que ele era um fiel adorador (Jeremias 25:9; 27:6).
Nabucodonosor foi, portanto, um rei muito poderoso, responsável pela destruição de Jerusalém, mas que também teve de reconhecer os limites do próprio poder. Sua história mostra algo que atravessa os livros de Jeremias e Daniel: até os governantes mais fortes precisam prestar contas a Deus.