Pode, mas não é só o rótulo “secular” que decide se uma música é boa pra ouvir. Uma canção não se torna errada simplesmente porque não fala de Deus. Ao mesmo tempo, uma música agradável pode transmitir ideias que um cristão não deveria alimentar.
A Bíblia mostra que a música pode ter mais de um uso. Os salmos mostram sua importância na adoração, e Paulo incentiva os cristãos a cantar louvores a Deus (Efésios 5:19). Mas a música também aparece em outras situações. Davi, por exemplo, tocava harpa quando Saul estava aflito (1 Samuel 16:14-23). Por isso, não há motivo bíblico pra dizer que toda música ouvida por um cristão precisa ser um cântico de louvor.
O estilo, por si só, também não resolve a questão. A Bíblia não apresenta uma lista de ritmos permitidos e proibidos. É possível preferir músicas mais calmas ou mais agitadas, mas uma preferência pessoal não deve ser tratada como mandamento de Deus. Por outro lado, também não basta dizer que uma música tem uma melodia bonita ou que pertence a um estilo do qual gostamos. É preciso prestar atenção ao que ela comunica.
Esse é um ponto importante: o que a letra está fazendo parecer bom? Uma música pode falar de amizade, alegria, tristeza ou amor sem mencionar Deus e ainda assim tratar esses assuntos de maneira boa e honesta. Outra pode incentivar a infidelidade, celebrar a crueldade ou fazer pouco caso daquilo que Deus chama de pecado. Filipenses 4:8 orienta os cristãos a ocupar o pensamento com o que é verdadeiro, justo e puro. Esse princípio ajuda a avaliar também o que ouvimos.
Vale considerar não só a letra, mas o efeito da música em você. Uma canção pode não defender o pecado de forma explícita e, mesmo assim, estar ligada a lembranças ou desejos que tornam mais difícil agir de acordo com a sua fé. Nesse caso, deixar de ouvi-la pode ser uma decisão sábia. Isso não significa que toda pessoa terá a mesma reação, nem que uma música cause automaticamente determinado comportamento. Significa levar a sério aquilo que você escolhe ouvir com frequência.
Há ainda espaço pra diferenças de consciência. Romanos 14 ensina a não desprezar nem condenar um irmão por decisões sobre assuntos nos quais Deus não deu uma proibição específica. Isso não dispensa ninguém de examinar suas escolhas. Em 1 Coríntios 10:23-31, Paulo lembra que nem tudo o que é permitido é proveitoso e orienta os cristãos a fazer suas escolhas de modo que honrem a Deus.
Então, a resposta não é “toda música secular é proibida”, nem “qualquer música está liberada”. O cristão pode ouvir música secular, mas faz bem em escolher com cuidado: observar a mensagem, perceber como ela o influencia e deixar de lado aquilo que o afasta do que deseja viver diante de Deus.