Em alguns casos, sim. Mas não dá pra dizer que todas tinham a mesma liberdade de escolha. Nos tempos bíblicos, era comum que a família participasse da decisão sobre o casamento. Isso não significa, porém, que a vontade da mulher fosse sempre ignorada.
O casamento de Isaque e Rebeca mostra bem essa diferença. Abraão enviou um servo pra procurar uma esposa pro filho. O servo encontrou Rebeca e conversou com a família dela. Antes de levá-la, porém, a família perguntou se ela queria ir, e Rebeca respondeu que sim (Gênesis 24:57-58). O relato não descreve uma escolha de marido como entendemos hoje: Rebeca não conhecia Isaque pessoalmente. Ainda assim, sua resposta teve importância. O próprio Abraão havia dito ao servo que, se a mulher não quisesse acompanhá-lo, ele não deveria trazê-la (Gênesis 24:8).
Há passagens que falam da liberdade de escolha de modo mais direto. As filhas de Zelofeade receberam permissão pra se casar com quem desejassem, com uma condição ligada à preservação da herança da família dentro da tribo (Números 36:6-12). No Novo Testamento, Paulo diz que uma viúva estava livre pra se casar novamente, desde que fosse com alguém que pertencesse ao Senhor (1 Coríntios 7:39). Nesses dois casos, havia uma escolha, embora dentro de limites apresentados no texto.
Também precisamos tomar cuidado pra não afirmar mais do que a Bíblia conta. Jacó amava Raquel e negociou com o pai dela, Labão, pra se casar com ela (Gênesis 29:18-20). Mas o relato não diz claramente o que Raquel pensava sobre o acordo. Já Mical amava Davi, e isso é mencionado antes do casamento deles (1 Samuel 18:20, 27). Os relatos são diferentes, por isso não servem pra criar uma regra única sobre todos os casamentos daquela época.
Então, a resposta é: a participação da família era comum, mas isso não eliminava necessariamente a escolha da mulher. Em algumas histórias, a Bíblia mostra essa escolha; em outras, não nos dá informação suficiente pra saber o que ela pôde decidir. Por isso, não seria correto dizer nem que todas eram obrigadas a aceitar o marido escolhido pela família, nem que todas tinham a liberdade que muitas mulheres têm hoje.