*Shifting*, ou “mudança de realidade”, é o nome dado a práticas em que a pessoa tenta viver mentalmente uma experiência em outro mundo, chamado de “realidade desejada”. Algumas pessoas imaginam um lugar de uma história; outras criam um cenário próprio. Pra isso, podem usar visualização, meditação ou um roteiro do que esperam encontrar.
Não há motivo pra concluir que alguém realmente saiu deste mundo e entrou em outro universo. Uma experiência pode parecer muito viva sem acontecer fora da mente. Sonhos e imaginação mostram isso. Mas também seria precipitado dizer que toda pessoa que fala em shifting está tendo exatamente a mesma experiência: as práticas e os relatos variam.
Pra entender a questão do ponto de vista cristão, ajuda separar duas coisas. Imaginar uma história, sonhar ou criar um mundo fictício não é, por si só, mudar de realidade nem praticar algo espiritual. O cuidado começa quando alguém passa a tratar essa experiência como uma viagem real da consciência, busca nela uma forma de escapar da própria vida ou se envolve com práticas que prometem acesso a poderes e conhecimentos espirituais. A Bíblia orienta o cristão a não buscar esse tipo de experiência espiritual fora de Deus (Deuteronômio 18:10-12). Isso, porém, não significa que toda tentativa de shifting seja ocultismo, nem que se possa afirmar que cada experiência envolva uma ação espiritual.
Também vale levar a sério o motivo que pode estar por trás da busca. Às vezes, a pessoa só está curiosa. Em outros casos, quer alívio porque sua vida está difícil. Esse desejo de descanso é compreensível. O problema é quando uma suposta “outra realidade” começa a substituir o cuidado com a vida que a pessoa tem agora — seus relacionamentos, suas responsabilidades e a ajuda de que talvez precise.
A esperança apresentada pela Bíblia é diferente de uma fuga imaginada. Jesus convida as pessoas a irem a ele em meio ao cansaço (Mateus 11:28), e a promessa de um mundo renovado vem de Deus, não de uma técnica pra chegar lá (Apocalipse 21:1-4). Por isso, o cristão não precisa desprezar a imaginação, mas deve ser honesto sobre o que ela é e buscar em Deus ajuda pra lidar com o que é real.