Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

O que é o Movimento da Terceira Onda?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

Página original no site

O Movimento da Terceira Onda é o nome dado a um conjunto de igrejas e líderes que, a partir dos anos 1980, passaram a dar muita atenção a curas, profecias e outros sinais durante a pregação do evangelho. A ideia era que essas manifestações do Espírito Santo também poderiam acontecer em igrejas evangélicas que não se identificavam como pentecostais ou carismáticas.

O nome foi proposto pelo teólogo C. Peter Wagner. Na maneira como ele contava essa história, a primeira onda foi o surgimento do pentecostalismo no começo do século XX. A segunda foi o movimento carismático, que levou práticas semelhantes a igrejas de outras tradições, especialmente a partir da década de 1960. A terceira seria esse novo interesse por sinais e dons espirituais entre evangélicos que preferiam não adotar aqueles rótulos.

John Wimber e as igrejas Vineyard tiveram grande influência nessa fase. Wimber ensinava o chamado *evangelismo de poder*: anunciar Jesus e orar para que Deus agisse de modo perceptível, inclusive por meio de curas. Isso ajuda a entender o movimento, mas não significa que todos os seus participantes ensinassem exatamente as mesmas coisas. Com o tempo, líderes e grupos ligados à Terceira Onda seguiram caminhos diferentes.

Como avaliar isso à luz da Bíblia? Primeiro, não é preciso negar que Deus possa curar ou agir de maneira extraordinária hoje. O Novo Testamento nos ensina a orar pelos enfermos (Tiago 5:14-16). Ao mesmo tempo, não diz que uma cura precisa acontecer sempre que o evangelho é anunciado. Paulo afirma que o evangelho é o poder de Deus para a salvação (Romanos 1:16). Portanto, um milagre pode chamar a atenção de alguém, mas não substitui a mensagem sobre Jesus, sua morte e sua ressurreição.

Também é importante distinguir duas afirmações diferentes: dizer que Deus pode orientar alguém hoje e dizer que uma pessoa recebe revelações com a mesma autoridade das Escrituras. A Bíblia manda examinar aquilo que é apresentado como mensagem de Deus, em vez de aceitar tudo sem avaliação (1 Tessalonicenses 5:19-21; 1 João 4:1). Nenhum líder, por mais impressionantes que sejam suas experiências, deve ter suas palavras colocadas acima do ensino bíblico (Gálatas 1:8; 2 Timóteo 3:16-17).

Algumas práticas e alegações associadas a grupos da Terceira Onda — como certas profecias, manifestações incomuns em reuniões e reivindicações de autoridade apostólica — receberam críticas sérias. Essas críticas merecem ser consideradas caso a caso. Não seria justo, porém, atribuir toda prática controversa a todas as igrejas do movimento. Cristãos que reconhecem a autoridade da Bíblia também discordam sobre se dons como profecia e línguas continuam hoje. Essa discussão é diferente de perguntar se uma profecia específica é verdadeira ou se determinado líder está exigindo uma autoridade que não lhe pertence.

Em resumo, a Terceira Onda foi uma corrente evangélica que buscou dar mais espaço à atuação sobrenatural do Espírito Santo, especialmente na evangelização. Seu valor não deve ser medido pela quantidade de experiências impressionantes, nem rejeitado apenas pelo uso da palavra “milagre”. A pergunta decisiva é se o que se ensina e se pratica permanece fiel ao evangelho e pode ser examinado pelas Escrituras.