Depende do que a pessoa quer dizer com “pró-Palestina” e do que ela está defendendo. Se quer dizer que os palestinos devem viver em segurança, com dignidade e sem sofrer violência injusta, um cristão pode concordar com isso. Se quer dizer justificar ataques contra civis israelenses, ameaçar judeus ou apoiar organizações terroristas, um cristão deve rejeitar isso. Uma coisa não exige a outra.
Essa distinção importa porque o movimento pró-Palestina reúne pessoas com ideias e objetivos diferentes. Algumas pedem proteção pra civis e o fim da guerra. Outras defendem propostas políticas sobre as quais pode haver discordância legítima. E há quem use a causa palestina pra espalhar ódio contra judeus ou justificar violência. Não é justo atribuir a mesma intenção a todos que participam de um protesto. Também não seria justo deixar de denunciar um ato de ódio só porque ele aconteceu dentro de um protesto.
A Bíblia nos ajuda a começar pelas pessoas, não pelos slogans. Todo ser humano foi criado à imagem de Deus (Gênesis 1:27). Por isso, a vida de uma criança palestina não vale menos do que a de uma criança israelense, e a vida de uma criança israelense não vale menos do que a de uma criança palestina. Os ataques contra civis em Israel em outubro de 2023 foram terríveis. O sofrimento de civis palestinos durante a guerra também exige nossa atenção. Podemos lamentar as duas coisas sem diminuir nenhuma delas.
Isso não significa tratar todas as decisões e ações dos envolvidos como iguais. Significa aplicar os mesmos princípios a todos: não justificar a morte de inocentes, não culpar um povo inteiro pelos atos de um governo ou de um grupo armado e não fechar os olhos a abusos por simpatia a uma causa. Deus pede que seu povo pratique a justiça e defenda quem está vulnerável (Miqueias 6:8; Provérbios 31:8-9).
Alguns cristãos entendem que as promessas bíblicas feitas a Israel exigem apoio especial ao Estado moderno de Israel. Outros discordam dessa ligação. Mas, mesmo entre os que defendem uma relação especial, isso não torna cada ação de um governo automaticamente justa. E criticar uma decisão do governo israelense não é, por si só, antissemitismo. Antissemitismo é hostilidade contra judeus por serem judeus; ele deve ser rejeitado sem hesitação. Da mesma forma, defender os palestinos não é apoiar o Hamas, e condenar o Hamas não é ser contra os palestinos.
Então, como avaliar uma manifestação ou uma fala concreta? Vale ouvir o que está sendo pedido e observar como as pessoas agem. Há uma grande diferença entre pedir ajuda humanitária e paz, por um lado, e intimidar judeus, celebrar ataques ou incentivar violência, por outro. Também é preciso ter cuidado com frases de efeito cujo significado nem sempre fica claro. Provérbios 18:17 nos lembra que ouvir apenas um lado não basta pra formar um julgamento seguro.
O caminho cristão não é escolher um povo pra amar e outro pra ignorar. É buscar a verdade, defender a justiça e trabalhar pela paz, como Jesus ensinou (Mateus 5:9). Um cristão pode se manifestar em favor dos palestinos. Pode também discordar de grupos ou propostas do movimento pró-Palestina. Em qualquer caso, precisa deixar claro aquilo que defende: proteção dos civis, rejeição ao terrorismo e ao preconceito, e dignidade pra palestinos e israelenses.