Os ensinos mais característicos do movimento Palavra da Fé não são bíblicos. A Bíblia nos chama a confiar em Deus, orar com esperança e levar a sério o que ele promete. Mas isso é diferente de ensinar que nossas palavras têm poder pra criar a realidade ou que, se tivermos fé suficiente, Deus terá de nos dar saúde e prosperidade.
“Palavra da Fé” não é o nome de uma igreja única, com uma lista de crenças seguida por todos. Os pregadores ligados a esse movimento ensinam coisas diferentes. Por isso, é mais justo avaliar os ensinos em si do que presumir que toda pessoa associada a ele acredita exatamente nas mesmas coisas.
O ponto principal é este: ter fé é confiar em Deus; não é controlar Deus. Podemos pedir a cura de uma doença, buscar o sustento de que precisamos e esperar que ele cuide de nós. Jesus nos ensinou a orar com confiança. Ao mesmo tempo, nos ensinou a pedir que a vontade do Pai seja feita (Mateus 6:10; 7:7-11). Quando a fé é apresentada como uma força que funciona por meio das palavras certas, essa confiança pessoal em Deus vira uma espécie de técnica.
O mesmo vale pra chamada “confissão positiva”. Nossas palavras importam: elas podem dizer a verdade, encorajar alguém e expressar nossa fé. Mas a Bíblia não ensina que declarar “estou curado” produz a cura, nem que dizer “serei rico” faz a riqueza aparecer. Em Gênesis 1, Deus cria por sua palavra. Nós, porém, somos criaturas feitas à imagem dele; não recebemos o poder de criar como ele cria (Gênesis 1:26-27; Isaías 43:10).
Também é preciso cuidado quando alguém afirma que um cristão doente ou pobre necessariamente está sem fé. A Bíblia nos incentiva a orar pelos enfermos (Tiago 5:14-16), mas não promete que todo pedido de cura será atendido agora. Paulo orou repetidas vezes pra que Deus o livrasse de um sofrimento, e a resposta que recebeu foi que a graça de Deus o sustentaria naquela situação (2 Coríntios 12:7-10). A falta de cura, portanto, não prova falta de fé.
Deus pode prover recursos materiais, e é certo agradecer por isso. Mas Jesus advertiu contra fazer das riquezas o centro da vida (Mateus 6:19-24). Paulo disse que havia aprendido a viver tanto na abundância quanto na necessidade (Filipenses 4:11-13). Prosperidade, então, não é uma medida segura da aprovação de Deus.
Alguns pregadores associados ao movimento também ensinaram que os cristãos são “pequenos deuses” ou que Jesus deixou de ser Deus quando se tornou homem. Essas afirmações precisam ser rejeitadas. Ser feito à imagem de Deus não nos torna divinos. E, quando o Filho de Deus se fez homem, ele não deixou de ser Deus: João 1:1,14 e Colossenses 2:9 apresentam Jesus como verdadeiramente divino mesmo em sua vida humana.
Isso não significa que seja errado pedir grandes coisas a Deus ou esperar que ele aja. O problema é transformar suas promessas numa garantia de saúde e riqueza nesta vida, e a fé num poder que obriga Deus a agir. A fé bíblica descansa em quem Deus é, mesmo quando a resposta à oração não é a que desejávamos.