O movimento de Identidade Cristã reúne grupos que usam a Bíblia para defender a ideia de que os povos brancos, especialmente os de origem europeia, são os verdadeiros descendentes de Israel e o povo escolhido de Deus. Apesar do nome, essa crença não é um ensinamento do cristianismo. Ela mistura interpretações sem fundamento das Escrituras com racismo e antissemitismo.
Esses grupos não pensam todos da mesma forma. Alguns afirmam que os judeus de hoje não são o verdadeiro Israel; outros defendem ideias ainda mais extremas sobre eles e sobre pessoas não brancas. Há também grupos ligados ao movimento que esperam um confronto violento no fim dos tempos. Por isso, é importante não atribuir cada crença ou ato de violência a todos os seus seguidores. O ponto em comum é usar a origem étnica como se ela determinasse quem pode pertencer ao povo de Deus.
Uma das principais ideias do movimento é que as chamadas “dez tribos perdidas” de Israel teriam migrado para a Europa e se tornado antepassadas dos britânicos e de outros povos brancos. Mas a Bíblia não identifica esses povos como descendentes daquelas tribos. Muito menos diz que a cor da pele revela quem é o povo escolhido de Deus.
A mensagem do Novo Testamento vai na direção contrária. Jesus mandou que seus discípulos fizessem discípulos de todas as nações (Mateus 28:19). Pedro reconheceu que Deus não favorece uma pessoa por causa do povo a que ela pertence (Atos 10:34-35). E Paulo ensinou que pessoas de diferentes origens podem pertencer a Cristo e fazer parte do povo de Deus pela fé nele (Gálatas 3:26-29). Isso não apaga a história de Israel nem resolve, por si só, todas as perguntas sobre seu futuro. Mas deixa claro que ninguém recebe a salvação por ser branco, judeu ou de qualquer outra origem.
A Bíblia também não autoriza uma guerra racial pra preparar a volta de Jesus. Cristo chama seus seguidores a amar o próximo e até os inimigos (Mateus 5:43-48). Na visão de Apocalipse 7:9, há diante de Deus pessoas de todos os povos, tribos e línguas — não uma humanidade reduzida a uma única etnia.
Em resumo, o movimento de Identidade Cristã usa palavras e personagens bíblicos, mas coloca a raça no lugar da fé em Cristo. É por isso que suas ideias racistas e antissemitas devem ser rejeitadas: elas contradizem a mensagem de Jesus, que oferece perdão e acolhe pessoas de todos os povos.