A Reforma de Cluny foi um movimento de renovação dos mosteiros da Europa medieval. Ela começou em 910, quando Guilherme da Aquitânia fundou um mosteiro em Cluny, na região que hoje faz parte da França. A ideia era que os monges vivessem com mais disciplina e se dedicassem à oração, sem ficar sujeitos aos interesses dos senhores locais.
Naquela época, um nobre podia ter grande influência sobre um mosteiro instalado em suas terras, inclusive na escolha de quem o dirigiria. Cluny foi organizado de modo a ter mais liberdade em relação a esse tipo de controle. Seus monges seguiam a Regra de São Bento, que orientava a vida em comunidade, e davam grande atenção aos horários de oração e aos cultos da igreja.
A mudança não ficou restrita a Cluny. Seus primeiros líderes, especialmente Berno e depois Odo, ajudaram a levar essa forma de vida a outros mosteiros. Muitos passaram a manter uma ligação estreita com Cluny e com seu abade. Com o tempo, surgiu uma rede de comunidades espalhadas por várias partes da Europa Ocidental. É essa expansão que chamamos de Reforma de Cluny, ou reforma cluniacense.
O movimento também se relacionou com um esforço mais amplo de corrigir problemas na igreja medieval. Entre eles estavam a *simonia* — a compra e venda de cargos religiosos —, a influência de governantes na escolha de líderes da igreja e a má conduta de parte do clero. É importante, porém, não atribuir tudo isso apenas aos monges de Cluny: essas questões envolveram outras pessoas e movimentos, especialmente nas reformas dos séculos seguintes.
Cluny teve ainda grande influência na preservação e produção de livros, na arte e na arquitetura religiosa. Mas seria exagero dizer que seus monges acabaram com o feudalismo ou resolveram os problemas da igreja. O que eles fizeram, de maneira marcante, foi mostrar que comunidades religiosas podiam ser reorganizadas e influenciar outras comunidades.
Do ponto de vista bíblico, vale distinguir essa história dos ensinamentos da própria Bíblia. A preocupação em corrigir a ganância e a má conduta de líderes religiosos combina com advertências como as de 1 Pedro 5:2-3 e 1 Timóteo 3:2-3. Ao mesmo tempo, a Bíblia não manda que os cristãos vivam em mosteiros nem estabelece os horários e rituais praticados em Cluny. Assim, é possível reconhecer o valor histórico dessa reforma sem tratar todos os costumes dos monges como exigências para a igreja.