O movimento da santidade é uma corrente cristã que dá uma importância especial à vida santa. Sua ideia central é que Deus não apenas perdoa quem crê em Jesus, mas também transforma essa pessoa para que ela ame a Deus e viva em obediência a ele. Até aqui, trata-se de algo que a Bíblia ensina a todos os cristãos. A questão que distingue o movimento é até onde essa transformação pode chegar nesta vida.
Muitos dentro do movimento ensinam que, depois da conversão, o cristão pode passar por uma experiência de graça chamada *inteira santificação*. Ela também é conhecida, em alguns grupos, como “segunda bênção”. Segundo esse ensino, Deus purifica o coração do crente e lhe dá condições de viver plenamente dedicado a ele.
Isso precisa de um cuidado: nem todos os que usam o nome “santidade” querem dizer que o cristão se torna incapaz de pecar ou que nunca mais cometerá uma falta. Na tradição wesleyana, por exemplo, alguns explicam a inteira santificação como uma vida marcada pelo amor a Deus, não como a capacidade de nunca errar, esquecer algo ou tomar uma decisão ruim. Há diferenças entre as igrejas e até entre pessoas da mesma tradição.
O movimento tem raízes nos ensinamentos de John Wesley, no século 18. No século seguinte, ganhou força especialmente nos Estados Unidos; Phoebe Palmer foi uma de suas divulgadoras mais conhecidas. Igrejas wesleyanas e nazarenas, o Exército da Salvação e alguns grupos metodistas têm ligação histórica com ele. O pentecostalismo também recebeu influência desse movimento, embora os dois não ensinem exatamente a mesma coisa sobre a ação do Espírito Santo.
A Bíblia manda o cristão buscar a santidade (Hebreus 12:14). Ela também diz que Deus age na vida de quem pertence a Cristo, produzindo obediência e mudança real (Filipenses 2:12-13; Tito 2:11-12). Portanto, não devemos aceitar o pecado como se fosse inevitável em cada escolha, nem pensar que tentar obedecer a Deus é perda de tempo. Ao mesmo tempo, essa mudança é fruto da graça de Deus, não uma perfeição conquistada pelo esforço de seguir regras.
A divergência aparece quando se afirma que o cristão pode chegar, ainda nesta vida, a uma condição em que já não peca. Há motivos bíblicos fortes pra ter cautela com essa afirmação. João escreveu a cristãos e disse que, se afirmarmos não ter pecado, enganamos a nós mesmos. Ele também os orientou a confessar os pecados e lembrou que Jesus intercede por nós quando pecamos (1 João 1:8–2:2). Paulo, por sua vez, disse que ainda não havia alcançado a perfeição e continuava avançando na vida com Cristo (Filipenses 3:12-14).
Algumas passagens usadas nessa discussão exigem cuidado. Romanos 7:14-25, por exemplo, descreve uma luta contra o pecado, mas cristãos entendem de maneiras diferentes a quem Paulo se refere ali. E o “espinho na carne” mencionado em 2 Coríntios 12:7-10 não é identificado como um pecado de Paulo. Não precisamos fazer esses textos dizerem mais do que dizem pra reconhecer o ponto principal: Deus realmente transforma seus filhos, mas a Bíblia não nos dá motivo claro pra declarar que eles deixam de precisar de perdão nesta vida.
Assim, o movimento da santidade nos lembra de algo precioso: seguir Jesus envolve uma vida cada vez mais dedicada a Deus. Mas, quando a “inteira santificação” é entendida como ausência completa de pecado antes da ressurreição, essa conclusão vai além do que as Escrituras afirmam com clareza. O cristão deve buscar a santidade com confiança na ajuda de Deus e, ao mesmo tempo, continuar humilde, disposto a reconhecer seus pecados e a depender de Jesus.