Eclesiastes está falando do que acontece com a participação de uma pessoa na vida aqui na terra quando ela morre. Os vivos sabem que um dia vão morrer e ainda podem decidir o que fazer com o tempo que têm. Os mortos já não podem trabalhar, fazer planos nem aproveitar as oportunidades desta vida. É nesse contexto que o livro diz que eles “não sabem nada”.
O próprio trecho ajuda a entender isso. Logo depois, Eclesiastes 9:6 diz que os mortos já não participam do que se faz “debaixo do sol” — uma expressão que o livro usa para falar da vida neste mundo. E o versículo 10 incentiva os vivos a fazerem agora o que têm pra fazer, porque essa oportunidade não continua depois da morte. O assunto, portanto, não é uma descrição detalhada de tudo o que uma pessoa pode ou não perceber após morrer. É o fim da sua participação nas atividades desta vida.
Isso também ajuda a entender a afirmação de que os mortos já não recebem recompensa. Nesse trecho, não se trata de negar o julgamento de Deus. A ideia é que a pessoa morta não pode mais colher os resultados do seu trabalho aqui, como alguém vivo pode. Eclesiastes não termina dizendo que Deus esquece os mortos; pelo contrário, afirma que Deus julgará o que cada pessoa fez (Eclesiastes 12:13-14).
Cristãos que reconhecem a autoridade da Bíblia têm entendimentos diferentes sobre o estado da pessoa entre a morte e a ressurreição. Alguns creem que há consciência nesse período e mencionam, entre outras passagens, a história contada por Jesus sobre o rico e Lázaro (Lucas 16:19-31). Outros entendem essa história de outra maneira e creem que os mortos permanecem inconscientes até a ressurreição. Eclesiastes 9:5, sozinho, não resolve essa discussão. Usá-lo como prova de que não existe vida futura vai além do que seu contexto permite.
O ponto principal do texto é bem prático: nossa vida aqui tem um tempo limitado. Depois da morte, não voltamos pra fazer o que deixamos de fazer. Por isso, Eclesiastes nos chama a viver com responsabilidade diante de Deus agora.