Estar morto para o pecado não significa que o cristão nunca mais peca ou deixa de sentir tentações. Significa que, por causa de Jesus, o pecado já não precisa mandar na sua vida. É essa a ideia de Romanos 6:11: Paulo diz aos cristãos que se considerem mortos para o pecado e vivos para Deus, em Cristo Jesus.
Pra entender por quê, vale olhar o que Paulo diz antes. Em Romanos 6:3-4, ele relaciona a união do cristão com Jesus à morte e à ressurreição dele. Jesus morreu e ressuscitou; quem pertence a ele recebeu uma vida nova. Por isso, a pessoa não deve continuar vivendo como se nada tivesse mudado. Ela agora pertence a Deus.
Isso não apaga a luta contra o pecado. O próprio Paulo fala de uma luta difícil contra o mal em Romanos 7:15-25. Mas há uma diferença entre enfrentar o pecado e se entregar ao domínio dele. Uma pessoa pode ser tentada e até cair; estar morto para o pecado não quer dizer que ela perdeu a capacidade de errar. Quer dizer que ela não precisa mais tratar o pecado como algo a que deve obedecer.
É por isso que, logo depois de Romanos 6:11, Paulo dá uma orientação bem prática: não deixar o pecado governar o corpo nem usar o corpo pra fazer o mal; em vez disso, oferecer-se a Deus (Romanos 6:12-13). A expressão “morto para o pecado” não é um convite pra fingir que a tentação não existe. É um chamado pra viver de acordo com a nova relação que a pessoa tem com Deus.
E ela não precisa fazer isso sozinha. Deus dá seu Espírito aos que pertencem a Cristo, e é pelo Espírito que eles podem lutar contra o pecado (Romanos 8:9-13). Assim, estar morto para o pecado é viver uma mudança real, embora ainda incompleta: o pecado continua sendo um inimigo, mas não precisa mais ser o senhor da vida de quem está em Cristo.