Significa que aquelas pessoas chegaram ao fim da vida confiando em Deus, mesmo sem ver tudo o que ele havia prometido se cumprir. A fé delas não dependia de receber tudo enquanto ainda estavam vivas.
Nos versículos anteriores, Hebreus fala de Abel, Enoque, Noé, Abraão e Sara. Mas há um detalhe importante: Enoque não morreu como os demais, pois Deus o levou (Hebreus 11:5). Por isso, não devemos entender “todos estes morreram” como uma afirmação literal sobre cada pessoa mencionada no capítulo. Nesse trecho, o autor está falando especialmente de Abraão, Sara e dos que, como eles, viveram esperando o cumprimento das promessas de Deus.
Abraão e Sara mostram bem o que isso quer dizer. Deus prometeu a Abraão uma terra, uma grande descendência e uma bênção que alcançaria outros povos (Gênesis 12:1–3). Eles viram o nascimento de Isaque, o filho que Deus lhes havia prometido. Foi um cumprimento real e muito importante. Ainda assim, morreram antes de ver seus descendentes se tornarem uma nação e receberem plenamente a terra prometida (Hebreus 11:8–12).
Então, “morrer na fé” não quer dizer morrer sem ter visto Deus fazer nada. Quer dizer continuar confiando nele mesmo quando a promessa ainda não se cumpriu por completo.
Hebreus também diz que essas pessoas se reconheciam como estrangeiras e peregrinas. Abraão viveu na terra prometida sem possuí-la como herança definitiva. Mas o capítulo mostra que sua esperança ia além daquela terra: ele esperava algo permanente, preparado pelo próprio Deus (Hebreus 11:9–10, 13–16). Eles sabiam que a vida presente não era tudo o que Deus tinha reservado pra eles.
Essa é a lição central do versículo. A fé não é a certeza de que veremos todas as respostas durante a nossa vida. É confiar naquele que prometeu, inclusive quando o cumprimento ainda está no futuro. Por isso, aquelas pessoas puderam morrer na fé: não porque receberam tudo, mas porque continuaram confiando em Deus até o fim.