A resposta depende do que queremos dizer com “cristãos”. Os membros de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, conhecidos como mórmons, creem em Jesus, leem a Bíblia e se identificam como cristãos. Mas, quando comparamos alguns de seus ensinamentos sobre Deus e a salvação com o que a Bíblia ensina, aparecem diferenças importantes. Por isso, o mormonismo não é considerado parte da fé cristã histórica por grande parte das igrejas evangélicas.
Isso não significa que podemos dizer se cada mórmon é salvo ou não. Deus conhece a fé de cada pessoa; nós não conhecemos. Podemos, porém, examinar os ensinamentos de uma igreja à luz da Bíblia e explicar por que certas diferenças importam.
A primeira diferença diz respeito a quem é Deus. Na Bíblia, Deus não é um ser que alcançou a condição divina. Ele é o Criador eterno, e não há outro Deus como ele (Salmo 90:2; Isaías 43:10; 44:6). Na tradição dos Santos dos Últimos Dias, há ensinamentos sobre o Pai ter passado por uma existência semelhante à humana e sobre seres humanos poderem alcançar a exaltação divina. Isso é diferente do que a Bíblia diz sobre a distinção entre o único Deus e as pessoas que ele criou.
Há também uma diferença sobre quem é Jesus. É importante não dizer que os mórmons negam que Jesus seja divino: eles afirmam sua divindade, sua morte e sua ressurreição. A diferença está em como entendem sua relação com o Pai. A fé cristã histórica ensina que o Pai, o Filho e o Espírito Santo são distintos, mas são o único Deus. O Evangelho de João apresenta Jesus como aquele que já existia antes de se tornar homem e que era Deus (João 1:1, 14). O mormonismo, por sua vez, entende o Pai, o Filho e o Espírito Santo como seres distintos unidos em propósito. Não se trata apenas de usar palavras diferentes pra dizer a mesma coisa.
A questão da salvação também precisa de cuidado. Os Santos dos Últimos Dias falam da graça de Cristo e não dizem simplesmente que uma pessoa pode se salvar sem ele. Ao mesmo tempo, seus ensinamentos dão às ordenanças religiosas, aos convênios e à obediência um papel na salvação e na exaltação que difere da compreensão evangélica. No Novo Testamento, ninguém consegue conquistar a aceitação de Deus por cumprir exigências religiosas. Somos salvos pela graça, mediante a fé em Cristo, não pelas obras; as boas obras vêm como resultado dessa nova vida (Efésios 2:8-10; Tito 3:5). Isso não torna a obediência sem importância. Significa que ela não é o pagamento pela salvação.
Então, como responder à pergunta sobre uma pessoa mórmon? Não devemos dar a ninguém uma garantia de salvação só porque ela pertence a uma igreja e fala de Jesus. Também não devemos declarar que toda pessoa mórmon está condenada. A pergunta decisiva é em quem ela de fato confia pra ser reconciliada com Deus. Segundo o Novo Testamento, nossa esperança está em Jesus Cristo e no que ele fez por nós, não na nossa capacidade de alcançar a vida eterna por mérito próprio (João 14:6; Atos 4:12; Romanos 3:23-24).
Essas diferenças merecem ser levadas a sério, mas também pedem respeito pelas pessoas. É possível conversar com um mórmon com honestidade e carinho: ouvir o que ele realmente crê, explicar o que a Bíblia ensina e mostrar por que a identidade de Jesus e a maneira como recebemos a salvação são tão importantes.