O Monte do Templo é uma área elevada de Jerusalém onde ficavam os templos de Israel. Sua importância vem, antes de tudo, do que aqueles templos representavam: eram o lugar escolhido para a adoração a Deus e para os sacrifícios previstos na lei dada a Israel. Hoje, o mesmo lugar também é sagrado para os muçulmanos. Por isso, ele reúne uma longa história bíblica e uma situação religiosa e política delicada.
A história do templo começa com Davi. Depois de uma praga atingir Israel, ele comprou um terreno, construiu ali um altar e ofereceu sacrifícios a Deus (1 Crônicas 21:18-26). Mais tarde, seu filho Salomão construiu o primeiro templo naquele lugar (2 Crônicas 3:1). O texto bíblico o chama de monte Moriá. Gênesis 22 também diz que Abraão foi à região de Moriá, onde Deus o impediu de sacrificar Isaque e providenciou um carneiro. Essa ligação é importante, mas Gênesis não identifica com precisão a montanha de Abraão como o ponto exato onde o templo seria construído.
O templo de Salomão foi destruído pelos babilônios no século VI antes de Cristo. Depois que parte do povo voltou do exílio, um segundo templo foi construído. Séculos mais tarde, Herodes o ampliou. Era esse o templo que existia no tempo de Jesus. Os Evangelhos contam que Jesus esteve ali, ensinou e confrontou práticas que desrespeitavam o propósito daquele lugar. Ele também anunciou que o templo seria destruído (Marcos 13:1-2). Isso aconteceu quando os romanos destruíram Jerusalém, no ano 70 depois de Cristo.
Para os judeus, o monte continua ligado à história da adoração de Israel. O Muro Ocidental, onde muitos oram hoje, faz parte das estruturas de sustentação da área do templo na época de Herodes; não é uma parede do edifício do templo em si.
Para os muçulmanos, a área é conhecida como *Haram al-Sharif*. Nela ficam a Mesquita de Al-Aqsa e a Cúpula da Rocha, ligadas à tradição islâmica sobre a viagem noturna de Maomé. A administração religiosa do local é feita por uma instituição islâmica chamada *waqf*, enquanto as questões de segurança e acesso envolvem também as autoridades israelenses. As regras de visita variam conforme o local: em geral, não muçulmanos podem visitar partes da área em horários determinados, mas não entrar nas mesquitas.
E qual é a importância do Monte do Templo para os cristãos? Além de fazer parte da história de Israel e da vida de Jesus, ele ajuda a entender uma mudança essencial ensinada no Novo Testamento. Por meio de Jesus, o acesso a Deus não depende de ir a um edifício em Jerusalém nem de repetir os antigos sacrifícios: Cristo ofereceu a si mesmo de uma vez por todas (Hebreus 9:11-14; 10:11-14).
Alguns cristãos entendem que profecias como Daniel 9:27 apontam para um futuro templo em Jerusalém. Outros interpretam essas passagens de modo diferente. A Bíblia não permite apresentar a construção de um terceiro templo como fato já estabelecido. O que está claro é por que esse monte importa tanto: nele se concentra uma parte decisiva da história bíblica, e os acontecimentos ligados a ele ajudam a compreender tanto a adoração de Israel quanto o que o Novo Testamento ensina sobre Jesus.