Moloque era o nome associado a um culto praticado por povos vizinhos de Israel. Na Bíblia, ele aparece ligado a uma das práticas mais graves que esses povos realizavam: oferecer crianças em sacrifício. Deus proibiu expressamente os israelitas de entregar seus filhos a Moloque (Levítico 18:21; 20:2-5).
A expressão bíblica usada para essa prática é “fazer passar pelo fogo”. O sentido fica claro em outras passagens: tratava-se de sacrificar crianças. O profeta Jeremias diz que pessoas construíram um lugar no vale de Hinom, perto de Jerusalém, para queimar seus filhos e filhas como ofertas (Jeremias 7:31; 32:35). Deus condenou isso de forma direta. Não era uma maneira diferente de adorá-lo; era algo contrário à sua vontade.
O mais triste é que a prática chegou ao próprio povo de Israel. Segundo 1 Reis 11:7, Salomão construiu um lugar de culto a Moloque. Mais tarde, o rei Josias tornou impróprio para uso religioso o local chamado Tofete, no vale de Hinom, para impedir que crianças continuassem sendo oferecidas ali (2 Reis 23:10). Os profetas também denunciaram esses sacrifícios, porque o povo que conhecia a Deus estava fazendo o que ele havia proibido.
Há detalhes históricos sobre os quais é bom ter cuidado. A Bíblia mostra com clareza o que acontecia nesse culto, mas não descreve a aparência de uma estátua de Moloque. Por isso, imagens de um ídolo com cabeça de touro e braços usados para receber crianças não devem ser apresentadas como se fossem uma descrição bíblica confirmada. Também existe debate entre estudiosos sobre a origem do nome e sobre a relação entre Moloque e Milcom, um deus dos amonitas. Essas questões não mudam o ponto principal dos relatos bíblicos.
Talvez o episódio de Abraão e Isaque venha à mente quando se fala de sacrifício de crianças. Mas Gênesis 22 não apresenta Abraão adorando Moloque. Deus o pôs à prova, impediu que ele matasse Isaque e providenciou um carneiro para ser sacrificado em seu lugar (Gênesis 22:1-13). Já as ofertas de crianças denunciadas pelos profetas foram atos que Deus proibiu e condenou.
Então, a resposta mais segura é esta: Moloque era o nome ligado a um culto estrangeiro no qual crianças eram sacrificadas, e a Bíblia condena tanto essa prática quanto a participação dos israelitas nela. Os detalhes sobre a origem do nome e a forma exata dos rituais são menos certos do que essa condenação, que aparece repetidamente nas Escrituras.