Paulo usa essa expressão pra dizer que a oposição a Deus já estava agindo no mundo, mesmo antes da manifestação do “homem da iniquidade”, de quem ele fala em 2 Tessalonicenses 2. Ou seja, a maldade que aparecerá de forma mais evidente naquele momento não começará do nada: ela já está em ação.
Paulo escreveu isso porque alguns cristãos em Tessalônica estavam assustados com a ideia de que o Dia do Senhor já tinha chegado. Ele pede que não se deixem enganar e diz que, antes desse dia, haveria uma rebelião contra Deus e seria revelado o homem da iniquidade. Esse homem se colocaria contra Deus, enganaria pessoas com sinais ligados à ação de Satanás e, por fim, seria derrotado por Jesus em sua vinda (2 Tessalonicenses 2:1-12).
É nesse contexto que Paulo diz que o “mistério da iniquidade” já opera. “Iniquidade”, aqui, não é simplesmente desobedecer a uma lei humana; é a atitude de rejeitar a verdade de Deus e se opor a ele. “Mistério” não quer dizer que Paulo esteja dando uma pista sobre uma organização secreta que precisamos descobrir. A ideia é que essa oposição já existe, mas ainda não chegou à manifestação futura que ele descreve.
Paulo também diz que algo — e depois fala de alguém — está impedindo que o homem da iniquidade seja revelado antes do tempo (2 Tessalonicenses 2:6-7). Ele não identifica claramente esse impedimento na carta. Por isso, cristãos que levam a Bíblia a sério entendem essa parte de maneiras diferentes: alguns pensam no Espírito Santo; outros, na ação de Deus por meio das autoridades ou em outra forma de contenção. O texto afirma que há um limite para essa manifestação do mal, mas não permite dizer com certeza quem é aquele que a detém nem quando ele será afastado.
Então a resposta mais simples é esta: o mistério da iniquidade é a ação do mal contra Deus, que já estava presente nos dias de Paulo e que, segundo sua explicação, se manifestará de modo mais claro com a revelação do homem da iniquidade. O objetivo de Paulo não era fazer os cristãos procurarem um nome pra esse homem. Era ajudá-los a não se assustarem com falsos anúncios sobre a volta de Jesus e a permanecerem firmes na verdade. E o fim da passagem deixa claro que o mal não terá a última palavra: Cristo vencerá (2 Tessalonicenses 2:8, 13-15).