Se Deus é justo, ele não pode tratar o mal como se não tivesse importância. Mas, se ele é misericordioso, não quer deixar o pecador sem esperança. Na salvação, Deus não escolhe entre justiça e misericórdia: ele oferece perdão por meio de Jesus Cristo, sem ignorar o pecado.
A Bíblia mostra que Deus leva o pecado a sério. Ele é justo em tudo o que faz (Deuteronômio 32:4). Isso importa porque nossos pecados não são apenas erros sem consequências: eles prejudicam outras pessoas e nos afastam de Deus. Um perdão que fingisse que nada aconteceu não mostraria a seriedade do mal.
Ao mesmo tempo, Deus tem compaixão de quem pecou. Quando os moradores de Nínive se arrependeram, ele não trouxe sobre eles o castigo anunciado (Jonas 3:10; 4:2). Isso não quer dizer que o pecado deixou de ser grave. Quer dizer que Deus dá ao pecador a oportunidade de se voltar pra ele.
É na morte de Jesus que entendemos melhor como essas duas coisas se encontram. Jesus não morreu por pecados que ele mesmo tivesse cometido. Ele se entregou por nós. Paulo explica que Deus apresentou Cristo como sacrifício e, assim, mostrou sua justiça ao justificar — isto é, aceitar como justo — aquele que tem fé em Jesus (Romanos 3:24-26). Deus não declarou que o pecado era aceitável. Cristo assumiu as consequências do pecado para que pecadores pudessem ser perdoados.
Isso também ajuda a entender a paciência de Deus antes da vinda de Jesus. Deus já havia perdoado pessoas que confiaram nele, mas isso não significava que ele simplesmente havia esquecido seus pecados. Paulo aponta pra Cristo ao explicar como Deus permanece justo ao oferecer esse perdão (Romanos 3:25-26).
Por isso, a salvação não é algo que conseguimos merecer tentando compensar nossos erros. É um presente da graça de Deus, recebido pela fé em Jesus (Efésios 2:8-9). Quem confia nele encontra misericórdia sem que a justiça tenha sido deixada de lado. Deus leva o pecado a sério e, ainda assim, abre um caminho real de perdão pra quem se volta pra Cristo (Romanos 5:9; 8:1).