Jesus quis dizer que fazer a vontade do Pai era tão importante pra ele quanto comer é pra nós. Ele não estava dizendo que podia viver sem alimento. Estava explicando aos discípulos o que dava sentido à sua vida e orientava tudo o que fazia: cumprir a missão que o Pai lhe havia dado (João 4:34).
A conversa aconteceu depois que Jesus falou com uma mulher samaritana junto a um poço. Os discípulos tinham ido buscar comida e, quando voltaram, insistiram pra que ele comesse. Jesus, porém, falou de uma comida que eles não conheciam. Eles pensaram em alimento comum; Jesus estava falando da satisfação de fazer a vontade de Deus (João 4:31-34).
Naquele momento, isso tinha um sentido bem concreto. Jesus havia conversado com uma mulher que muitos talvez evitassem. Por causa daquela conversa, moradores da cidade foram ouvi-lo, e muitos creram nele (João 4:39-42). Enquanto os discípulos se preocupavam com a refeição, Jesus queria que eles percebessem as pessoas que estavam chegando. Por isso, logo em seguida, falou da colheita: havia gente pronta pra ouvir sua mensagem (João 4:35-38).
A expressão também aponta pra missão inteira de Jesus. Ele disse que veio fazer a vontade daquele que o enviou (João 6:38). Isso incluía ensinar, cuidar das pessoas e, por fim, entregar a própria vida. Quando falou em *terminar a obra* do Pai, Jesus mostrou que não queria apenas começar essa missão, mas cumpri-la até o fim (João 4:34; 19:30).
Então, a lição não é que comer seja pouco importante. Jesus e seus discípulos precisavam de alimento, como qualquer pessoa. O ponto é que as necessidades do corpo não eram tudo pra ele. Fazer a vontade do Pai vinha em primeiro lugar. E, naquele dia, isso significava acolher uma mulher, anunciar a verdade a ela e ajudar outras pessoas a conhecerem a Deus.