Existem relatos de hóstias que teriam sangrado, se transformado em carne ou permanecido intactas por muito tempo. Mas o fato de existir um relato não basta pra concluir que houve um milagre. Cada caso precisaria ser examinado: o que aconteceu, quais provas existem e se há outras explicações possíveis. Não dá pra confirmar nem pra descartar todos esses relatos de uma vez.
Também é importante separar duas perguntas. Uma é: “Aconteceu algo fora do comum?” Outra, bem diferente, é: “Isso prova o que acontece com o pão e o vinho na ceia?” Mesmo que um caso específico não tivesse uma explicação natural conhecida, isso, por si só, não demonstraria a doutrina católica da transubstanciação.
A Bíblia ensina que a ceia é muito importante. Jesus a instituiu na noite em que foi traído e associou o pão ao seu corpo entregue por nós e o cálice ao seu sangue derramado por nós (Lucas 22:19-20). Paulo diz que, ao participar dela, a igreja anuncia a morte do Senhor e deve fazê-lo com respeito, examinando a si mesma (1 Coríntios 11:26-29). Por isso, não devemos tratar a ceia como algo vazio ou sem importância.
A dúvida entre os cristãos é como entender a presença de Cristo na ceia. A Igreja Católica ensina que o pão e o vinho se tornam o corpo e o sangue de Cristo, embora continuem com a aparência de pão e vinho. Muitos evangélicos entendem que Jesus está verdadeiramente com seu povo quando a igreja celebra a ceia, mas não aceitam que o pão e o vinho se transformem dessa maneira. Outros dão mais ênfase ao caráter de lembrança da morte de Jesus. Essas diferenças precisam ser discutidas a partir das Escrituras, não resolvidas simplesmente apontando pra um relato extraordinário.
O mesmo cuidado vale pra João 6, onde Jesus fala de comer sua carne e beber seu sangue. Naquela conversa, ele também insiste que é preciso ir a ele e crer nele pra ter vida (João 6:35, 40). Por isso, cristãos entendem de maneiras diferentes a relação dessa passagem com a ceia. O que está claro é que a vida eterna vem de Cristo, não de uma propriedade física do pão.
Então, a resposta mais honesta é: não temos base pra afirmar que todos os chamados milagres eucarísticos realmente aconteceram, nem que relatos extraordinários provem a transubstanciação. Deus pode fazer milagres, mas ele não pede que a fé cristã dependa desses relatos. Pra entender a ceia, o ponto de partida mais seguro é aquilo que Jesus e os apóstolos ensinaram: nela, a igreja se lembra da morte de Cristo, anuncia o que ele fez e participa com fé e reverência.