A Bíblia diz que Satanás pode produzir sinais impressionantes para enganar as pessoas. Mas ela também nos ensina a ter cuidado antes de chamar um acontecimento específico de milagre demoníaco. Um relato extraordinário pode ter várias explicações, e nem sempre temos como saber o que aconteceu.
O ponto principal é este: um sinal, por mais impressionante que seja, não prova sozinho que a mensagem de quem o realizou vem de Deus. Em Deuteronômio 13:1-3, Moisés alerta o povo sobre alguém que poderia anunciar um sinal e, depois, convidá-lo a seguir outros deuses. Mesmo que o sinal acontecesse, o povo não deveria aceitar aquela mensagem. Primeiro vinha a fidelidade ao Deus que já havia se revelado.
O Novo Testamento faz o mesmo alerta. Jesus diz que falsos cristos e falsos profetas fariam grandes sinais pra tentar enganar as pessoas (Mateus 24:24). Paulo fala de sinais ligados à ação de Satanás, usados pra levar pessoas ao erro (2 Tessalonicenses 2:9-10). E Apocalipse 13:13-14 descreve sinais que impressionam as pessoas e as induzem a adorar quem não devem.
Isso não quer dizer que Satanás tenha o poder de Deus. Ele é uma criatura, não o Criador. Também não quer dizer que toda pessoa que relata algo sobrenatural esteja mentindo ou envolvida com o mal. Às vezes, o relato pode ser sincero, mas a explicação dada ao acontecimento pode estar errada. Em outros casos, pode haver fraude, engano ou algo que ainda não sabemos explicar. A Bíblia não nos dá permissão pra olhar um caso particular e afirmar, sem provas, exatamente qual dessas coisas aconteceu.
O encontro de Moisés e Arão com os magos do Egito ajuda a entender esse cuidado. Os magos conseguiram reproduzir alguns sinais, mas não todos; e o poder de Deus se mostrou superior (Êxodo 7:8-12; 8:18-19). O texto relata o que eles fizeram, sem explicar em detalhe como fizeram cada coisa. Por isso, não precisamos afirmar mais do que a passagem afirma.
Então, como avaliar um suposto milagre? Comece pela mensagem que o acompanha. João orienta os cristãos a não acreditarem em qualquer espírito, mas a examinarem o que é apresentado como vindo de Deus (1 João 4:1). Se alguém usa um sinal pra afastar as pessoas de Cristo, pedir adoração pra outra pessoa ou ensinar um caminho de salvação contrário ao evangelho, esse sinal não torna a mensagem verdadeira. Segundo o Novo Testamento, é por meio de Jesus que nos aproximamos de Deus, e ele é o único mediador entre Deus e as pessoas (João 14:6; 1 Timóteo 2:5).
Isso também vale pra relatos religiosos de hoje, incluindo aparições e curas. Não é correto dizer que todos são milagres de Deus só porque parecem extraordinários. Tampouco é correto declarar que todos são obras de Satanás sem examinar os fatos. Podemos não saber a origem de um acontecimento e, ainda assim, reconhecer que uma mensagem ligada a ele contradiz a Bíblia.
Em resumo, a Bíblia leva a sério a possibilidade de sinais ligados ao engano de Satanás. Por isso, ela não nos manda correr atrás de todo acontecimento impressionante nem viver com medo de tudo o que não entendemos. Ela nos orienta a permanecer firmes em Cristo e a examinar qualquer mensagem à luz do que Deus já revelou.