Uma mikvá é um lugar com água usado em rituais de purificação judaicos. A pessoa entra na água e se imerge. Não é um banho pra tirar sujeira do corpo: a imersão tem um significado religioso.
Na Bíblia, a palavra hebraica *mikvá* pode significar uma reunião de águas, como em Gênesis 1:10. Com o tempo, ela também passou a ser usada para o lugar onde se faz a imersão ritual. Na lei dada a Israel, havia situações em que alguém precisava se lavar e esperar um período antes de voltar a estar cerimonialmente puro. Isso acontecia, por exemplo, em casos ligados ao ciclo menstrual e a certos fluxos do corpo (Levítico 15). As regras após o parto aparecem em Levítico 12.
É importante entender o que significa impureza cerimonial. Uma pessoa nessa condição não era necessariamente culpada de algum pecado. O parto, por exemplo, não é pecado. A impureza cerimonial dizia respeito à participação na vida religiosa de Israel, especialmente ao contato com as coisas consideradas santas. Por isso, sair da água cerimonialmente puro não significava ter recebido perdão pelos pecados. Eram questões diferentes.
A água usada na mikvá segue regras da tradição judaica, que dá importância à água de origem natural. Por isso, uma mikvá pode ser construída de modo a usar água da chuva ou a ter contato com ela. As formas de construir e usar a mikvá variam entre as comunidades judaicas. Ainda hoje ela faz parte da prática religiosa de muitos judeus.
A mikvá também ajuda a entender o cenário em que João Batista começou a batizar. Os judeus já conheciam lavagens rituais, mas João anunciava algo específico: um batismo ligado ao arrependimento. As pessoas eram chamadas a reconhecer seus pecados e a mudar de vida (Marcos 1:4-5). Quando Jesus quis ser batizado, João estranhou, porque reconhecia que Jesus não precisava se arrepender de pecado (Mateus 3:13-15).
O batismo cristão também usa a água, mas não é simplesmente a continuação de todas as regras da mikvá. No Novo Testamento, ele está ligado à fé em Jesus, à sua morte e ressurreição e à vida nova que Deus dá ao cristão (Romanos 6:3-4). Enquanto as purificações rituais podiam ser repetidas conforme a necessidade, o batismo cristão marca o início da vida de fé e não é tratado como uma lavagem a ser refeita cada vez que a pessoa peca.
Então, a ideia principal é esta: a mikvá é um lugar de imersão ritual judaica, ligado à pureza cerimonial. Conhecê-la ajuda a perceber por que a água era uma imagem tão significativa no tempo de João Batista e de Jesus. Mas a Bíblia também distingue a limpeza ritual daquilo de que todos nós precisamos diante de Deus: perdão e uma vida transformada.