A mídia pode ajudar no culto, mas não deve conduzi-lo. Projetar a letra de um cântico, mostrar uma imagem ou usar um vídeo pode facilitar a participação e a compreensão. O cuidado é não deixar que esses recursos ocupem o lugar da oração, da Palavra de Deus e da participação da igreja.
A Bíblia não fala de telas, microfones ou vídeos. Por isso, não dá uma regra sobre quantos recursos usar. Ela dá, porém, critérios pra fazer essa escolha. Em João 4:23-24, Jesus ensina que a adoração deve ser verdadeira e acontecer pela ação do Espírito. Em Colossenses 3:16, Paulo orienta os cristãos a ensinar e encorajar uns aos outros com a palavra de Cristo, inclusive por meio do canto. E, ao falar das reuniões da igreja, ele diz que tudo deve ser feito pra fortalecer as pessoas (1 Coríntios 14:26).
Então a pergunta mais útil não é “podemos usar mídia?”, mas “isso está ajudando a igreja a adorar a Deus e a entender sua Palavra?” Uma tela com letras legíveis pode ajudar todos a cantar. Uma imagem pode tornar mais clara uma explicação bíblica. Já um vídeo longo ou efeitos constantes podem distrair as pessoas daquilo que o culto procura comunicar. O recurso não é bom só porque é moderno, nem ruim só porque é novo.
Também importa pensar em quem está reunido. Se o som está alto demais pra alguns, se a letra na tela é pequena ou se uma apresentação acaba criando conflito desnecessário, vale ajustar. A orientação de Paulo é buscar não apenas o que é permitido, mas o que faz bem aos outros (1 Coríntios 10:23-24). Isso pede atenção às necessidades da igreja, sem transformar preferências por telas ou hinários numa medida de fidelidade a Deus.
No fim, a mídia deve servir ao culto, não ser o motivo dele. Quando ajuda as pessoas a ouvir a Bíblia, orar, cantar e participar juntas, pode ser usada com gratidão. Quando atrapalha essas coisas, é melhor mudar a forma de usá-la — ou deixá-la de lado.