As duas palavras tentam responder à mesma pergunta: como Jesus pode ser, ao mesmo tempo, plenamente Deus e plenamente humano? A diferença principal está na maneira de descrever essa união. O difisismo fala de duas naturezas, uma divina e outra humana, unidas em uma só pessoa. O miafisismo fala de uma natureza do Filho de Deus encarnado, na qual divindade e humanidade estão unidas sem que nenhuma das duas deixe de ser o que é.
“Natureza”, aqui, quer dizer aquilo que faz alguém ser o que é. Quando os cristãos dizem que Jesus tem natureza humana, querem dizer que ele se tornou realmente humano, não apenas que parecia humano. Quando falam de sua natureza divina, querem dizer que ele não deixou de ser Deus ao nascer como homem.
A Bíblia dá os motivos pelos quais essa pergunta importa. João diz que aquele que estava com Deus e era Deus se tornou humano (João 1:1, 14). Jesus sentiu fome (Mateus 4:2) e dormiu durante uma tempestade; depois, levantou-se e deu uma ordem ao vento e ao mar (Marcos 4:37–41). Ele morreu, mas também é apresentado como aquele por meio de quem todas as coisas foram criadas (Colossenses 1:15–17). Não estamos falando de um homem comum que recebeu poderes divinos, nem de Deus apenas aparentando ser humano. Estamos falando de Jesus Cristo, uma só pessoa, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem.
O difisismo procura preservar essa verdade dizendo que as duas naturezas permanecem distintas, embora estejam unidas na única pessoa de Jesus. Essa foi a linguagem adotada pelo Concílio de Calcedônia, em 451. Ela ajuda a explicar, por exemplo, por que é correto dizer que Jesus sentiu fome sem concluir que Deus, em sua natureza divina, depende de comida.
O miafisismo usa outra linguagem: fala de uma só natureza *encarnada*, formada pela união da divindade e da humanidade. É importante não entender “uma só natureza” como se a humanidade de Jesus tivesse desaparecido ou sido absorvida por sua divindade. As igrejas que hoje se identificam como miafisitas afirmam que ele é plenamente Deus e plenamente humano. Por isso, miafisismo não deve ser confundido automaticamente com a ideia de que Jesus deixou de ser verdadeiramente humano.
Ao longo da história, os cristãos também rejeitaram explicações que não preservavam esses pontos. Se Jesus não tivesse uma mente humana, sua humanidade estaria incompleta. Se fosse dividido em duas pessoas, já não estaríamos falando do único Jesus apresentado nos Evangelhos. E, se sua humanidade fosse absorvida pela divindade, ele não seria humano como nós. Essas preocupações ajudam a entender por que a discussão foi tão séria.
A Bíblia não usa as palavras “miafisismo” e “difisismo” nem apresenta uma fórmula técnica pra resolver cada detalhe da união entre divindade e humanidade. Cristãos de tradições diferentes ainda discutem o alcance exato da diferença entre as duas formulações; seria simplificar demais dizer que elas são sempre idênticas ou que todo miafisita nega a humanidade de Cristo.
O ponto mais importante pra ler essa discussão é distinguir a verdade que ambas procuram proteger da linguagem que cada uma usa pra explicá-la: Jesus é um só, plenamente Deus e plenamente humano. Isso importa pra fé cristã porque ele veio como verdadeiro homem, morreu e ressuscitou por nós — sem deixar de ser o Filho de Deus (Romanos 5:18–19; Hebreus 2:14–17).