A teoria do “Messias de César” diz que autoridades romanas teriam criado a história de Jesus e mandado escrever os Evangelhos. O objetivo, segundo essa ideia defendida por Joseph Atwill, seria convencer os judeus a abandonar a resistência contra Roma e seguir uma religião mais pacífica. O problema é que não há boas provas históricas de que isso aconteceu.
Atwill tenta sustentar sua tese comparando os Evangelhos com relatos da guerra entre judeus e romanos escritos por Flávio Josefo, um historiador judeu ligado ao poder romano. Ele entende certas semelhanças entre esses textos como pistas de uma autoria planejada. Mas encontrar paralelos não basta pra concluir que o governo romano escreveu os Evangelhos. Seria preciso mostrar, por exemplo, que pessoas a serviço de Roma produziram esses livros e que a fé cristã surgiu dessa operação. Não temos evidências disso.
Há uma dificuldade ainda maior: a fé em Jesus já existia antes de os quatro Evangelhos serem escritos. Nas cartas de Paulo, encontramos comunidades cristãs que já criam na morte e na ressurreição de Jesus. Paulo também conta que conheceu Pedro e Tiago, irmão de Jesus (Gálatas 1:18-19). Em 1 Coríntios 15:3-8, ele transmite uma mensagem sobre Jesus que diz ter recebido anteriormente. Portanto, mesmo se alguém questionasse quem escreveu os Evangelhos, ainda precisaria explicar essas comunidades e suas crenças anteriores.
Também não faz sentido tratar o cristianismo como uma religião feita pra garantir obediência a Roma. Jesus ensinou seus seguidores a amar os inimigos, mas isso não significava aceitar o imperador como senhor ou adorá-lo. Os primeiros cristãos anunciavam Jesus como Senhor, e essa fidelidade podia colocá-los em conflito com as autoridades. A reação romana variou conforme a época e o lugar, mas houve perseguições. Não há sinal de que Roma tenha apresentado o cristianismo como uma religião que ela mesma criou.
Isso não quer dizer que a pesquisa histórica consiga provar todos os ensinamentos da fé cristã. A ressurreição de Jesus, por exemplo, é uma afirmação central da fé e exige uma discussão própria. Mas a pergunta aqui é outra: *Roma inventou Jesus e os Evangelhos?* A existência histórica de Jesus é amplamente aceita entre estudiosos, inclusive entre muitos que não creem que ele seja o Messias. Já a tese de que autoridades romanas fabricaram sua história não explica bem as evidências mais antigas sobre os cristãos e não apresenta provas suficientes pra ser aceita.