Ela quis dizer que Jesus podia ajudar sua filha sem deixar de cumprir sua missão com Israel. A mulher não estava pedindo que ele tirasse o alimento dos filhos. Na comparação que Jesus havia feito, ela dizia que até uma migalha caída da mesa bastaria pra atender ao seu pedido.
A conversa aconteceu quando Jesus estava na região de Tiro e Sidom. Uma mulher cananeia pediu que ele libertasse sua filha, que sofria por causa de um demônio. Jesus disse que tinha sido enviado às “ovelhas perdidas” de Israel e usou a imagem de uma família à mesa: não seria certo pegar o pão dos filhos e dá-lo aos cachorrinhos. Os filhos representavam Israel, povo ao qual Jesus tinha vindo primeiro; os cachorrinhos representavam quem, como aquela mulher, não fazia parte desse povo (Mateus 15:21-26).
A fala de Jesus pode soar dura, e não é preciso fingir que não soa. Mas a comparação fala da ordem da missão dele naquele momento, não do valor daquela mulher. A resposta dela mostra que entendeu essa diferença. Ela não discutiu a prioridade de Israel nem desistiu de pedir ajuda. Em outras palavras, disse: “Sim, Senhor, mas até os cachorrinhos recebem as migalhas que caem da mesa.” Ela confiava que Jesus tinha poder pra socorrer sua filha sem que isso prejudicasse os filhos.
Jesus elogiou a grande fé dela, e sua filha foi curada (Mateus 15:27-28). Isso também ajuda a entender a conversa: Jesus não terminou rejeitando a mulher por ela ser de outro povo.
Então, as “migalhas” não significam que aquela mulher ou sua filha valiam pouco, nem que a ajuda de Jesus seria pequena. A imagem mostra a confiança dela: mesmo reconhecendo que Jesus tinha vindo primeiro a Israel, ela sabia que ele também podia ter misericórdia dela. Mais tarde, a mensagem de Jesus seria anunciada a todos os povos (Mateus 28:19; Atos 10).