Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

Como Jó pôde dizer: “Ainda que ele me mate, confiarei nele”?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

Página original no site

Jó disse isso quando já tinha perdido os filhos, os bens e a saúde. Ele não sabia por que estava sofrendo. Seus amigos insistiam que tanta dor só podia ser castigo por algum pecado grave, e ele não aceitava essa acusação. Mesmo assim, Jó continuava buscando a Deus. É isso que torna suas palavras tão fortes: ele não disse que a dor era pequena nem que entendia o que Deus estava fazendo.

Em Jó 13, Jó está decidido a apresentar seu caso a Deus. Ele acredita que não merece o castigo de que os amigos o acusam e quer ser ouvido. Ao dizer que confiaria em Deus mesmo correndo o risco de morrer, ele mostra que prefere levar sua dor e suas perguntas ao próprio Deus a aceitar as explicações erradas dos amigos. Sua confiança não era uma calma sem dúvidas. Era a decisão de continuar se dirigindo a Deus, mesmo sem entender o que estava acontecendo.

Há um detalhe que ajuda a ler essa frase com cuidado: o texto hebraico de Jó 13:15 é difícil, e algumas traduções trazem uma ideia próxima de “não esperarei nele” em vez de “nele esperarei”. Por isso, não convém usar esse versículo isolado como se Jó tivesse feito uma declaração simples, sem qualquer conflito. No contexto, porém, fica claro que ele não desiste de apresentar sua causa diante de Deus.

O próprio livro conta algo que Jó não sabia naquele momento: suas perdas não eram prova de que ele tinha cometido um pecado grave e escondido. Nos primeiros capítulos, vemos que Satanás queria pôr à prova a fidelidade de Jó, e Deus permitiu que ele fosse atingido, impondo limites ao que poderia acontecer (Jó 1–2). Jó não conhecia essa conversa. Ele só conhecia a dor que estava vivendo. Por isso, suas perguntas eram reais.

Mais adiante, Jó reconhece que falou sobre coisas que não compreendia (Jó 42:3-6). Isso não significa que os amigos estavam certos. Deus os repreende pelo que disseram a respeito dele (Jó 42:7). Jó precisava reconhecer seus próprios limites, mas seus amigos também precisavam abandonar a ideia de que toda pessoa que sofre está sendo castigada por um pecado específico.

Então, como Jó pôde falar daquele jeito? Porque, mesmo sem uma explicação pra sua dor, ele não abandonou Deus. Ele reclamou, fez perguntas e quis ser ouvido. A confiança de Jó não apagou seu sofrimento; ela apareceu *no meio* dele. Para quem sofre hoje, isso é importante: confiar em Deus não exige fingir que está tudo bem. Podemos falar com ele com sinceridade, inclusive quando não entendemos o que está acontecendo.