Depende do que queremos dizer com “o mesmo Deus”. Cristãos e muçulmanos falam de um único Deus, criador do mundo, e rejeitam a ideia de adorar vários deuses. Nesse sentido, os dois dizem se voltar ao Criador. Mas, quando perguntamos quem é esse Deus e como podemos conhecê-lo, as respostas das duas religiões são profundamente diferentes.
A diferença principal está em Jesus. Os muçulmanos o respeitam como um profeta, mas não creem que ele seja Deus Filho nem que tenha morrido na cruz como o Novo Testamento ensina. Para os cristãos, isso não é um detalhe que se pode deixar de lado. A Bíblia apresenta Jesus como o Filho de Deus que se tornou homem (João 1:14), morreu pelos nossos pecados e ressuscitou (1 Coríntios 15:3-4). O próprio Jesus ensina que é por meio dele que chegamos ao Pai (João 14:6).
Os cristãos também creem que Deus é Pai, Filho e Espírito Santo. Isso não significa acreditar em três deuses, mas em um só Deus que se revelou dessa maneira. O islamismo rejeita esse ensinamento. Por isso, não seria correto dizer que as duas religiões ensinam a mesma coisa sobre Deus, apenas usando nomes diferentes.
Ao mesmo tempo, é bom tomar cuidado com a resposta curta “não adoram o mesmo Deus”. Ela pode dar a entender que os muçulmanos pretendem adorar outro criador, quando eles próprios afirmam adorar o único Criador. A questão, do ponto de vista cristão, é que não podemos conhecer corretamente o Pai rejeitando quem Jesus é. É assim que 1 João 2:23 liga o reconhecimento do Filho ao conhecimento do Pai.
Então a resposta mais clara é esta: cristãos e muçulmanos afirmam adorar o único Deus criador, mas têm entendimentos incompatíveis sobre quem ele é e sobre como ele salva. Para a fé cristã, conhecer Deus como ele se revelou exige reconhecer Jesus como seu Filho e confiar nele.