Não. A Bíblia não apresenta os milagres como resultado de alguém que se concentrou tanto a ponto de mudar a realidade com a própria mente. Ela os apresenta como atos do poder de Deus. A fé aparece nesses relatos, mas fé não é uma força mental que faz tudo acontecer. É confiança em Deus.
Pense em Pedro andando sobre a água. Ele não decidiu fazer aquilo sozinho: pediu a Jesus que o chamasse, e Jesus o chamou. Pedro então saiu do barco e caminhou em direção a ele. Quando ficou com medo do vento, começou a afundar e pediu socorro. Jesus o segurou e falou da sua pouca fé (Mateus 14:28-31).
Isso pode levantar uma dúvida: se a fé de Pedro fez diferença, não foi a mente dele que realizou o milagre? A diferença está em quem tinha o poder. Pedro confiou em Jesus para fazer algo que ele, por si mesmo, não podia fazer. Quando sua confiança vacilou, ele não precisou se concentrar mais; precisou que Jesus o socorresse. Depois, os discípulos reconheceram quem Jesus era, em vez de admirar alguma capacidade especial de Pedro (Mateus 14:32-33).
Outro exemplo deixa isso ainda mais claro. Em Atos 3, Pedro e João encontram um homem que não conseguia andar desde o nascimento. Pedro o chama a se levantar em nome de Jesus Cristo, e o homem passa a andar. Diante das pessoas que viram a cura, Pedro deixa claro que aquilo não aconteceu pelo poder ou pela santidade dele. Ele aponta para Jesus e fala da fé ligada ao nome dele (Atos 3:1-16). A explicação de Pedro não é que o homem venceu sua deficiência pela força do pensamento.
A maneira como pensamos pode influenciar nossas escolhas e nossa disposição diante das dificuldades. Mas isso é diferente de dizer que a mente humana consegue, por si só, fazer alguém andar sobre a água ou curar uma deficiência de nascença. Também não significa que basta ter fé suficiente para receber qualquer milagre que se deseja. Fé bíblica não é controle sobre Deus; é confiança nele. Nos relatos de Pedro, tanto sobre a água quanto diante do homem curado, o poder é atribuído a Jesus, não à mente humana.