A frase era uma mensagem de julgamento dirigida a Belsazar, governante da Babilônia. Seu sentido, explicado pelo profeta Daniel, era este: Deus havia contado os dias daquele reinado, avaliado Belsazar e decidido entregar o reino a outros povos. O relato está em Daniel 5.
Tudo aconteceu durante um banquete. Belsazar mandou trazer os utensílios que tinham sido retirados do templo de Jerusalém. Ele e seus convidados beberam neles enquanto louvavam seus deuses. Então apareceram dedos de uma mão escrevendo na parede do palácio. O rei ficou aterrorizado, mas seus sábios não conseguiram explicar a mensagem. Daniel foi chamado e interpretou as palavras.
Daniel explicou cada parte da inscrição:
- Mene, repetida duas vezes: Deus havia contado os dias do reinado e determinado seu fim.
- Tequel: Belsazar havia sido “pesado” e considerado em falta. A imagem é a de uma balança: ao avaliar o rei, Deus não encontrou nele o que deveria encontrar.
- Parsim, também escrito *upharsin* em algumas traduções: o reino seria dividido e entregue aos medos e aos persas. Ao explicar essa parte, Daniel usa a forma peres (Daniel 5:25-28).
A mensagem não condenava Belsazar apenas por causa daquela festa. Daniel lembrou que ele conhecia o que havia acontecido com Nabucodonosor, que precisou aprender a reconhecer a autoridade de Deus. Mesmo assim, Belsazar não se humilhou. Ao usar os utensílios do templo daquele modo e louvar seus deuses, ele desafiou o Deus a quem pertenciam aqueles objetos (Daniel 5:18-23).
O anúncio se cumpriu rapidamente: naquela mesma noite, Belsazar foi morto, e seu reino passou para outro governante (Daniel 5:30-31).
É daí que vem a expressão “a escrita na parede” — às vezes chamada de “a caligrafia na parede”. Hoje ela significa um aviso de que algo ruim está prestes a acontecer, mesmo que alguém não queira reconhecer os sinais. No relato bíblico, porém, não se tratava apenas de um mau presságio. Era uma mensagem de Deus: o tempo de Belsazar como governante havia chegado ao fim.