Depende do que queremos dizer com “meios de graça”. Se a pergunta é se a água do batismo ou o pão e o cálice salvam por si mesmos, a resposta é não. Nossa salvação vem de Jesus Cristo e é recebida pela fé, não por termos realizado uma cerimônia (Efésios 2:8-9).
Mas “meio de graça” também pode significar uma maneira pela qual Deus fortalece a fé de quem já pertence a Cristo. Nesse sentido, muitos cristãos chamam o batismo e a Ceia de meios de graça. Eles não querem dizer, necessariamente, que a pessoa conquista o favor de Deus ao participar deles. Essa diferença é importante, porque cristãos que concordam que somos salvos pela graça usam a expressão de maneiras diferentes.
O batismo é um ato ordenado por Jesus aos seus discípulos (Mateus 28:19-20). Ele mostra, de forma visível, a união do cristão com Cristo em sua morte e ressurreição (Romanos 6:3-4). No livro de Atos, vemos pessoas que acolhem a mensagem de Jesus e são batizadas, como aconteceu com o homem da Etiópia em Atos 8:26-39. O batismo, portanto, não é algo sem importância. Ao mesmo tempo, não devemos pensar que a água muda o coração de alguém automaticamente. É Deus quem dá vida pelo seu Espírito.
A Ceia do Senhor também foi instituída por Jesus. Ao repartir o pão e o cálice, ele ensinou os discípulos a se lembrarem de sua entrega por eles (Lucas 22:19-20). Paulo acrescenta que, ao participar da Ceia, a igreja anuncia a morte do Senhor até que ele venha (1 Coríntios 11:26). Não se trata, porém, de uma lembrança vazia. Paulo fala da Ceia como participação no corpo e no sangue de Cristo e orienta os cristãos a tomá-la com seriedade (1 Coríntios 10:16; 11:27-29). Por isso, muitos entendem que Deus também usa esse momento pra alimentar e fortalecer a fé.
É aqui que aparece a diferença entre as interpretações. Alguns cristãos preferem chamar o batismo e a Ceia de sinais da graça: eles mostram o que Cristo fez e nos chamam a confiar nele, mas não comunicam graça por meio da cerimônia. Outros os chamam de meios de graça, porque entendem que Deus age por meio deles pra confirmar suas promessas e fortalecer seu povo. Essa segunda posição não significa, por si só, que a salvação seja comprada com obras.
O ponto que não devemos perder é este: nenhum rito substitui a fé em Cristo, e ninguém torna o sacrifício de Jesus mais completo ao ser batizado ou participar da Ceia. Mas também não devemos tratar essas práticas como dispensáveis ou sem valor. Jesus as deu à sua igreja. A discussão entre cristãos não é se devemos obedecer a ele, e sim como entender aquilo que Deus faz quando obedecemos.