Na Bíblia, meditar é dedicar atenção ao que Deus disse e fez, pensando nisso com calma, orando e procurando entender como viver de acordo com a vontade dele. Não é preciso deixar a mente vazia. A ideia é ocupar a mente com algo que vale a pena lembrar e praticar.
Um exemplo bem claro é Josué. Quando ele assumiu a liderança de Israel, Deus lhe disse que meditasse no Livro da Lei dia e noite, pra ter o cuidado de obedecer ao que estava escrito (Josué 1:8). Josué não precisava passar o dia inteiro lendo. Precisava conhecer aquelas palavras tão bem que elas orientassem suas decisões.
Os salmos mostram o que uma pessoa pode fazer ao meditar. O Salmo 1 fala de alguém que tem prazer na instrução de Deus e pensa nela constantemente (Salmo 1:1-2). Já o autor do Salmo 119 diz que medita nos mandamentos de Deus pra prestar atenção aos caminhos dele e não esquecer sua palavra (Salmo 119:15-16). Em outras palavras, meditar não é apenas lembrar um texto: é pensar no que ele ensina e deixar que isso influencie a maneira de viver.
Também é possível meditar no que Deus fez. No Salmo 77, o autor está angustiado e recorda as obras poderosas de Deus (Salmo 77:11-12). Ele não finge que seu sofrimento acabou. Mas, ao lembrar daquilo que Deus já fez, consegue olhar pra sua situação sem perder de vista quem Deus é.
Há ainda o caso de Isaque. Gênesis 24:63 conta que ele saiu ao campo ao entardecer para meditar. O texto não diz sobre o que ele pensava nem se isso fazia parte de sua rotina. Por isso, não dá pra afirmar que estivesse pensando em Rebeca, a quem encontraria em seguida. O que sabemos é que ele separou aquele momento para reflexão.
Davi oferece um exemplo próximo da meditação acompanhada de oração. Depois de ouvir a promessa de Deus a respeito de sua família, ele se sentou diante do Senhor e respondeu com gratidão, perguntas e louvor (2 Samuel 7:18-29). O texto registra essa resposta como uma oração. Ele mostra como refletir sobre o que Deus disse pode levar a uma conversa sincera com ele.
Esses exemplos não apresentam um único método obrigatório. Às vezes a pessoa pensa nas palavras de Deus; outras vezes, relembra suas obras ou ora a partir do que ouviu. O ponto em comum é simples: dar atenção a Deus e à sua palavra de um jeito que ajude a conhecê-lo melhor e a obedecer-lhe.