Pastor Antônio Junior

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Mateus 7:21-23 diz que um cristão pode perder a salvação?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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Não é isso que Jesus está descrevendo nessa passagem. Ele fala de pessoas que o chamam de Senhor e até apresentam feitos impressionantes em seu nome, mas que, no dia do julgamento, ouvirão dele que nunca as conheceu. A palavra importante é “nunca”: Jesus não diz que elas eram suas e deixaram de ser. Ele mostra que é possível parecer cristão sem realmente pertencer a ele.

Pra entender a advertência, vale olhar o que vem antes. Em Mateus 7:15-20, Jesus alerta sobre falsos profetas e ensina que uma árvore é reconhecida pelos frutos. Logo depois, ele diz que nem todo aquele que o chama de Senhor entrará no Reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de seu Pai. O contraste é entre o que a pessoa afirma ser e como ela de fato vive.

As pessoas rejeitadas tentam se defender dizendo que profetizaram, expulsaram demônios e fizeram milagres em nome de Jesus. A passagem, porém, não confirma que todos esses feitos aconteceram exatamente como elas dizem, nem explica de onde teria vindo o poder pra realizá-los. Jesus não está ensinando ali uma teoria sobre milagres. Seu ponto é mais direto: nem mesmo feitos religiosos extraordinários provam que alguém pertence a ele.

Mas fazer a vontade do Pai significa conquistar a salvação pela obediência? Não. A Bíblia ensina que somos salvos pela graça de Deus, mediante a fé, e não por nossas obras (Efésios 2:8-9). Ao mesmo tempo, essa fé não é apenas dizer as palavras certas. No fim do sermão, Jesus compara quem ouve suas palavras e as pratica com quem as ouve e não as pratica (Mateus 7:24-27). A obediência não compra a salvação; ela faz parte da vida de quem confia nele. Por isso, chamar Jesus de Senhor enquanto se vive na prática do mal é uma contradição séria.

A passagem, portanto, não foi escrita pra fazer todo cristão que luta contra o pecado concluir que está perdido. Jesus está alertando contra uma confiança falsa: achar que um título religioso, uma declaração de fé ou até experiências impressionantes substituem um relacionamento verdadeiro com ele.

Cristãos que reconhecem a autoridade da Bíblia discordam sobre uma questão mais ampla: se alguém que foi verdadeiramente salvo pode, mais tarde, abandonar a fé e perder a salvação. Mateus 7:21-23, por si só, não resolve todo esse debate. O que ele diz com clareza é que as pessoas rejeitadas nessa cena nunca foram conhecidas por Jesus como suas. Por isso, esse texto não é um exemplo de salvos que perderam a salvação. É um aviso pra não confundir aparência de fé com fé verdadeira.