A Bíblia não fala diretamente sobre masturbação. Por isso, não seria correto dizer que existe um versículo que a proíbe — nem que o silêncio da Bíblia resolve a questão e a torna sempre certa. Pra pensar nisso com honestidade, é preciso olhar tanto para o que a pessoa faz quanto para os pensamentos e hábitos envolvidos.
Às vezes, a história de Onã, em Gênesis 38:8–10, é usada como resposta. Mas ela não trata de masturbação. Onã se recusou a cumprir uma responsabilidade para com a família de seu irmão falecido e agiu de modo a impedir que ele tivesse um descendente. É essa atitude que a passagem condena.
Jesus também não menciona a masturbação quando fala sobre olhar para alguém com desejo de cometer adultério (Mateus 5:27–28). Ele está ensinando que o pecado sexual não começa apenas no ato: aquilo que alimentamos nos pensamentos também importa. Isso tem relação com a pergunta, mas não significa que Jesus estivesse dando uma proibição específica da masturbação. Sentir desejo sexual não é, por si só, a mesma coisa que escolher alimentar a cobiça por alguém.
Então, como avaliar a prática? Se ela vem acompanhada de pornografia, de fantasias que tratam outras pessoas como objetos ou de um hábito que a pessoa não consegue controlar, há motivos bíblicos claros pra lidar com essas coisas. Jesus leva a sério os desejos que cultivamos, e Paulo ensina que o cristão deve honrar a Deus com o corpo e crescer em domínio próprio (Mateus 5:27–28; 1 Coríntios 6:19–20; Gálatas 5:22–23). Também vale perguntar se a prática está tomando um espaço na vida que a pessoa não quer lhe dar (1 Coríntios 6:12).
Mas é importante não afirmar mais do que a Bíblia afirma. Esses princípios não provam, por si só, que todo ato de masturbação, em toda circunstância, seja pecado. Cristãos que desejam obedecer à Bíblia chegam a conclusões diferentes sobre esse ponto. Alguns entendem que a prática não combina com o modo como Deus quer que vivamos a sexualidade. Outros entendem que, sem pornografia, cobiça ou perda de domínio próprio, não há base bíblica suficiente pra condenar o ato em si.
Romanos 14:23 também nos lembra da importância de agir com uma consciência sincera diante de Deus. Paulo trata ali de outra questão, então não devemos usar o versículo como se ele falasse especificamente de masturbação. Ainda assim, não faz bem insistir em algo enquanto a própria pessoa acredita estar desobedecendo a Deus. Isso é diferente de viver presa à culpa por uma proibição que a Bíblia não fez expressamente.
Em resumo: a Bíblia não chama a masturbação, pelo nome, de pecado. Ela chama o cristão a examinar com seriedade o que está alimentando seu desejo, como está tratando as outras pessoas e se está vivendo com domínio próprio. Se há pornografia, cobiça ou compulsão, a questão precisa de cuidado e mudança. E, se existe uma luta nessa área, a resposta não precisa ser vergonha ou desespero, mas sinceridade diante de Deus, arrependimento do que for pecado e busca de ajuda quando necessário.