Não. Ser homem não é um problema. A expressão “masculinidade tóxica” costuma ser usada pra falar de ideias sobre o que seria um “homem de verdade” que acabam incentivando atitudes prejudiciais. Por exemplo: dizer que homem não pode pedir ajuda, que precisa provar seu valor pela agressividade ou pelo número de mulheres com quem se relaciona, ou que deve mandar nos outros pra ser respeitado.
É importante fazer essa distinção: não é a masculinidade que torna alguém tóxico; são certas atitudes. Coragem, firmeza e disposição pra proteger alguém podem ser coisas boas. Mas coragem não é licença pra intimidar, e proteger não é o mesmo que controlar. Do mesmo modo, ser reservado não é errado. O problema é acreditar que demonstrar tristeza, admitir um erro ou buscar ajuda faz de alguém “menos homem”.
A Bíblia não usa a expressão “masculinidade tóxica”, mas nos ajuda a avaliar os comportamentos que ela procura descrever. Deus criou homens e mulheres à sua imagem (Gênesis 1:27). Por isso, não faz sentido tratar o fato de ser homem como um defeito. Ao mesmo tempo, a Bíblia não desculpa o orgulho, a violência, o egoísmo ou a imoralidade quando aparecem num homem — nem em qualquer outra pessoa. Ela chama todos a agir com amor, domínio próprio e respeito (Gálatas 5:22-23; Filipenses 2:3-4).
Jesus mostra como isso funciona na prática. Ele teve coragem pra enfrentar quem explorava outras pessoas, mas não usou sua força pra se impor sobre os mais vulneráveis (Marcos 11:15-18; Mateus 23:13-36). Ele chorou diante da morte de um amigo (João 11:35), tratou pessoas desprezadas com compaixão e lavou os pés dos discípulos, uma tarefa humilde que ninguém esperaria de um mestre (Marcos 1:40-41; João 13:1-16). Nele, firmeza e ternura não competiam entre si.
Isso também ajuda a evitar um erro no sentido contrário. Nem todo homem expressa seus sentimentos do mesmo jeito, gosta das mesmas atividades ou tem o mesmo temperamento. Ser competitivo, gostar de esportes ou preferir trabalhos manuais não torna ninguém tóxico. E um homem calmo, sensível ou pouco competitivo não é menos homem por isso. O que importa é como ele trata as pessoas e o que faz com suas capacidades.
Portanto, a pergunta mais útil não é “isso parece masculino?”, mas “isso é bom, justo e amoroso?” Se uma ideia de masculinidade leva um homem a desprezar mulheres, maltratar outros homens, esconder todo sofrimento ou se achar superior, ela precisa ser corrigida. Se o ajuda a assumir responsabilidades, agir com coragem, respeitar as pessoas e reconhecer quando precisa de ajuda, não há motivo pra condená-la.