Um mártir cristão é alguém que foi morto por permanecer fiel a Jesus. Sua história nos faz pensar numa pergunta difícil: se seguir a Cristo me custasse muito, eu continuaria com ele? A Bíblia não nos manda procurar o sofrimento. Mas os mártires nos lembram que Jesus merece nossa fidelidade mesmo quando ela tem um preço alto.
Estêvão é um dos primeiros exemplos que encontramos na Bíblia. Depois de falar sobre Jesus, ele foi apedrejado (Atos 7:54-60). Diante da morte, não negou aquilo em que cria. E, em vez de pedir vingança, pediu a Deus que perdoasse seus agressores. Com ele aprendemos duas coisas que precisam andar juntas: firmeza na fé e amor pelas pessoas, até mesmo por aquelas que nos tratam mal.
Isso não significa que todo cristão precisa enfrentar o perigo do mesmo jeito. Quando alguém ameaça nossa vida, buscar segurança não é falta de fé; o próprio Jesus orientou seus discípulos a fugir quando fossem perseguidos numa cidade (Mateus 10:23). A questão é outra: não abandonar Jesus pra escapar da pressão. Ele preparou seus seguidores para essa possibilidade e os chamou a reconhecê-lo diante das pessoas (Mateus 10:32-33).
Os mártires também nos lembram que a morte não é o fim da história de quem pertence a Cristo. Jesus prometeu vida eterna aos que creem nele (João 11:25-26), e o livro de Apocalipse apresenta pessoas mortas por seu testemunho de Jesus participando da vitória dele (Apocalipse 20:4-6). A esperança cristã não é que sofrer nos faça merecer o amor de Deus. É que, por causa de Cristo, nem mesmo a morte pode tirar do cristão a vida que Deus prometeu.
Por fim, essas histórias devem nos tornar mais fiéis, não mais arrogantes. Nem toda crítica ou discordância é perseguição, e sofrer não prova, por si só, que estamos certos. O exemplo dos mártires nos convida a viver com coragem, a tratar os outros com graça e a permanecer com Jesus tanto nas dificuldades extraordinárias quanto nas escolhas comuns de cada dia.