Zípora usou essa expressão logo depois de circuncidar um dos filhos que tinha com Moisés. O próprio relato explica que ela disse “marido de sangue” por causa da circuncisão (Êxodo 4:25-26). Não era uma acusação de que Moisés tivesse matado alguém. A expressão está ligada ao sangue daquele ato e a uma situação grave que aconteceu durante a viagem da família ao Egito.
Deus havia mandado Moisés voltar ao Egito pra tirar os israelitas da escravidão. No caminho, porém, o Senhor se colocou contra ele, e o texto diz que estava prestes a matá-lo. Então Zípora circuncidou o filho, tocou os pés de Moisés com o prepúcio e o perigo passou (Êxodo 4:24-26).
Por que a circuncisão fez diferença? Deus tinha ordenado a Abraão que os meninos de sua família fossem circuncidados. Esse era o sinal da aliança de Deus com seus descendentes (Gênesis 17:9-14). Ao que tudo indica, Moisés não havia cumprido essa ordem em relação ao filho. Antes de conduzir o povo de Deus, ele precisava tratar dessa desobediência dentro da própria família.
O relato, no entanto, é muito breve. Ele não diz por que o menino ainda não tinha sido circuncidado, nem explica exatamente de que maneira Moisés foi ameaçado. Também não revela o tom de Zípora. Ela pode ter falado com aflição ou indignação, mas não dá pra afirmar que rejeitava a circuncisão ou que estava ressentida com Moisés.
Assim, o sentido mais seguro de “marido de sangue” é este: Zípora se referiu a Moisés dessa maneira por causa da circuncisão sangrenta que precisou fazer naquele momento para afastar a ameaça contra ele. O episódio mostra a seriedade da aliança de Deus, sem nos dar motivos pra inventar o que Moisés ou Zípora pensavam.