A leitura mais natural dos Evangelhos é que sim: Maria e José tiveram filhos depois de Jesus. Mas a Bíblia não dá um número definitivo nem diz expressamente que todos os irmãos de Jesus eram filhos de Maria. Por isso, vale separar o que o texto afirma do que concluímos ao lê-lo.
Quando o anjo anunciou o nascimento de Jesus, Maria ainda era virgem (Lucas 1:26-35). Mateus também diz que José não teve relações com ela antes do nascimento de Jesus (Mateus 1:24-25). Isso deixa claro que José não foi o pai biológico de Jesus. Já a palavra “até”, usada nessa passagem, não prova sozinha que José e Maria tiveram relações depois. Mateus está falando do período anterior ao nascimento; ele não explica diretamente o que aconteceu depois.
A informação mais importante aparece quando os moradores de Nazaré falam da família de Jesus. Eles mencionam sua mãe, Maria, chamam Tiago, José, Judas e Simão de irmãos dele e também falam de suas irmãs (Marcos 6:3; Mateus 13:55-56). Como “irmãs” está no plural, eram pelo menos duas. Se esses irmãos e irmãs eram filhos de Maria, ela teve pelo menos sete filhos ao todo: Jesus, quatro irmãos e duas irmãs. A Bíblia não diz se havia mais irmãs.
Há cristãos que entendem essas passagens de outro modo. Segundo a tradição católica e algumas tradições ortodoxas, Maria permaneceu virgem, e os “irmãos” de Jesus seriam parentes próximos ou filhos de José de um casamento anterior. Os Evangelhos, porém, não dizem que José havia sido casado antes. E, quando falam da mãe e dos irmãos de Jesus juntos — como em Mateus 12:46 —, a leitura mais direta é a de uma família com filhos da mesma mãe.
Assim, a Bíblia apresenta Jesus com quatro irmãos nomeados e pelo menos duas irmãs. Entendê-los como filhos de Maria e José é a conclusão mais natural a partir dos relatos bíblicos, embora essa relação não seja declarada em todas as palavras. Nesse caso, Maria teve no mínimo sete filhos, incluindo Jesus; o total exato não é informado.