Maria I recebeu esse apelido porque, durante seu reinado, centenas de protestantes foram condenados por suas crenças religiosas, e cerca de 280 morreram queimados na fogueira. Ela governou a Inglaterra de 1553 a 1558 e tentou fazer o país voltar ao catolicismo romano. A perseguição aconteceu principalmente nos últimos anos desse período.
Pra entender como se chegou a isso, é bom voltar um pouco. O pai de Maria, Henrique VIII, havia rompido com o papa e colocado a Igreja da Inglaterra sob a autoridade do rei. Depois dele, seu filho Eduardo VI, meio-irmão de Maria, governou sob forte influência protestante e promoveu novas mudanças na igreja. Maria, por sua vez, permaneceu católica. Quando Eduardo morreu e ela assumiu o trono, decidiu desfazer essas mudanças e restaurar a ligação da igreja inglesa com Roma.
Não foi apenas uma mudança nas cerimônias ou na liderança da igreja. Durante o governo de Maria, antigas leis contra a heresia voltaram a valer. Na época, quem fosse considerado herege podia ser punido pelo Estado. Muitos protestantes se recusaram a abandonar suas crenças e foram executados. Entre eles estavam líderes religiosos, mas também homens e mulheres que não ocupavam cargos na igreja. Essas mortes deram origem ao apelido pelo qual a rainha ainda é lembrada.
A história pessoal de Maria ajuda a entender por que a religião era tão importante pra ela, embora não justifique a perseguição. Quando Henrique VIII rompeu seu casamento com Catarina de Aragão, mãe de Maria, a posição da filha também foi atingida: ela chegou a ser declarada ilegítima. Maria continuou ligada à fé católica de sua mãe e, ao chegar ao poder, procurou restaurá-la na Inglaterra. Mas seria simplificar demais dizer que ela perseguiu protestantes apenas por causa do que sofreu na juventude. Suas decisões também faziam parte de uma época em que governantes frequentemente usavam o poder do Estado pra impor a religião que consideravam verdadeira.
Do ponto de vista bíblico, porém, defender uma crença não dá a ninguém o direito de matar quem discorda dela. Jesus ensinou seus seguidores a amar os inimigos e a orar por quem os perseguia (Mateus 5:44). Ele também disse que seu reino não dependia de seus servos lutarem pra estabelecê-lo pela força (João 18:36). É possível discordar profundamente de uma crença religiosa e, ao mesmo tempo, reconhecer que a violência contra seus seguidores é errada.
Por isso, “Maria Sangrenta” é um nome ligado, acima de tudo, à perseguição aos protestantes sob seu governo. O apelido não significa que a violência religiosa tenha existido apenas no reinado dela; outros governantes também perseguiram pessoas por sua fé. Mas, no caso de Maria I, as execuções foram numerosas e marcaram de forma duradoura a memória de seu curto reinado.