Sim, desde que a expressão seja entendida do jeito certo. Maria é mãe de Jesus, e Jesus é Deus que se tornou homem. Nesse sentido, é correto chamá-la de “mãe de Deus”. Mas isso não quer dizer que Maria deu origem a Deus, que existia antes dele ou que seja divina.
A Bíblia ajuda a entender essa distinção. João diz que o Filho já existia antes de vir ao mundo e que ele se tornou humano (João 1:1, 14). Maria, portanto, não foi a origem da divindade de Jesus. Ela foi a mulher por meio de quem o Filho eterno de Deus nasceu como ser humano. Ao mesmo tempo, o filho que ela deu à luz não era apenas um homem ligado a Deus: era o próprio Filho de Deus. Por isso, Isabel chamou Maria de mãe do seu Senhor (Lucas 1:43).
É essa a ideia por trás da palavra grega *Theotokos*, geralmente traduzida como “mãe de Deus”. O termo foi usado para proteger uma verdade importante sobre Jesus: ele não é duas pessoas, uma humana e outra divina. É uma só pessoa, verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. O Concílio de Éfeso, em 431, afirmou o uso desse título em meio a uma discussão sobre quem Jesus é.
Ainda assim, o título precisa ser explicado, porque pode dar uma impressão errada. Toda mãe humana vem antes do filho que gera; Maria, porém, não veio antes do Filho eterno de Deus. Ela é mãe de Jesus quanto ao seu nascimento humano, não a fonte da sua existência como Deus.
Também é importante não tirar do título conclusões que ele, por si só, não ensina. Reconhecer Maria como mãe de Jesus não significa tratá-la como divina ou dar a ela o lugar de Salvador. A Bíblia a apresenta como uma mulher favorecida por Deus e digna de respeito (Lucas 1:28, 48), enquanto aponta para Jesus como aquele por meio de quem temos acesso a Deus (1 Timóteo 2:5).
Então, a resposta curta é: Maria pode ser chamada de mãe de Deus porque o filho que ela deu à luz é Deus encarnado. Mas ela não é mãe da divindade de Jesus nem origem de Deus. O título serve para dizer algo verdadeiro sobre quem Jesus é, não para colocar Maria acima dele.