Marcos 16:16 fala de quem crê e é batizado como alguém que será salvo. Mas, na segunda parte, aponta a falta de fé — não a falta de batismo — como motivo da condenação. Por isso, o versículo não diz que uma pessoa que crê em Jesus será condenada se morrer antes de ser batizada.
Vale prestar atenção nessa diferença. Dizer que quem crê *e é batizado* será salvo não é o mesmo que dizer que *só* quem crê e é batizado será salvo. O texto apresenta a fé e o batismo juntos, como era natural na vida dos primeiros cristãos: a pessoa recebia a mensagem de Jesus e era batizada. Mas ele não responde diretamente o que aconteceria com alguém que cresse e não tivesse a oportunidade de se batizar.
Pra entender essa situação, precisamos olhar também pra outras passagens. Jesus ensina que quem crê nele tem a vida eterna (João 5:24; 6:47). Paulo explica que somos salvos pela graça de Deus, mediante a fé, e não por algo que fazemos pra merecer a salvação (Efésios 2:8-9). E há um caso especialmente claro em Atos 10:44-48: Cornélio e os que estavam com ele receberam o Espírito Santo enquanto ouviam a mensagem sobre Jesus. Só depois Pedro mandou que fossem batizados. Isso mostra que Deus já os havia acolhido antes do batismo com água.
Isso não torna o batismo dispensável na vida cristã. Jesus mandou seus discípulos batizarem os que o seguissem (Mateus 28:19). Quem crê nele deve levar essa ordem a sério, em vez de tratar o batismo como algo sem importância. A diferença é entre obedecer a Jesus por causa da fé e pensar que a água do batismo é o que torna possível a salvação. A salvação vem de Cristo; o batismo é uma resposta de obediência a ele.
Há ainda um cuidado importante com Marcos 16:16: os manuscritos antigos apresentam diferenças quanto a Marcos 16:9-20, trecho em que esse versículo aparece. Por isso, não é prudente firmar uma doutrina somente nele. Mesmo lendo o versículo como parte do Evangelho, porém, a conclusão continua a mesma: ele une fé e batismo, mas não afirma que a ausência do batismo condena quem crê.