O maniqueísmo foi uma religião fundada por Mani, na Pérsia, no século III depois de Cristo. Sua ideia principal era que o universo estava envolvido numa disputa entre dois princípios opostos: a luz, ligada ao bem, e as trevas, ligadas ao mal. Para Mani, essa disputa ajudava a explicar por que existe tanto mal no mundo.
Ele reuniu ideias de diferentes tradições religiosas e também usou nomes e termos conhecidos dos cristãos. Mas isso não significa que ensinasse a mesma coisa que a Bíblia. No maniqueísmo, a matéria estava ligada às trevas, e a libertação viria quando a luz presa no mundo material fosse separada delas. O conhecimento religioso tinha um papel importante nesse processo.
A diferença central em relação à fé cristã está na origem do mundo e do mal. Segundo a Bíblia, Deus criou todas as coisas, e sua criação era boa (Gênesis 1:1, 31; João 1:3). O mal é real e grave, mas não é uma força eterna com o mesmo poder de Deus. E o corpo humano não é algo mau do qual precisamos escapar. A esperança cristã inclui a ressurreição do corpo e a renovação da criação (1 Coríntios 15:42-44; Romanos 8:21-23).
O maniqueísmo se espalhou por várias regiões e existiu durante muitos séculos, especialmente em partes da Ásia. No Ocidente, uma pessoa conhecida que participou desse movimento foi Agostinho, antes de se tornar cristão. Mais tarde, ele escreveu contra os ensinamentos maniqueístas.
Hoje, a palavra “maniqueísta” costuma aparecer com outro sentido. Ela descreve uma maneira de enxergar tudo como uma disputa simples entre “os bons” e “os maus”, sem considerar as dificuldades e diferenças de cada situação. Esse uso vem da oposição entre luz e trevas presente na religião de Mani, mas chamar uma opinião de maniqueísta não quer dizer que a pessoa siga aquela religião antiga.