Mandrágoras são plantas conhecidas pelas raízes grossas, que às vezes têm um formato parecido com o de um corpo humano. No mundo antigo, muita gente acreditava que elas podiam ajudar uma mulher a engravidar. Essa crença ajuda a entender por que aparecem numa história de Gênesis. A Bíblia, porém, não diz que as mandrágoras realmente tinham esse poder.
Em Gênesis 30:14-16, Rúben encontra mandrágoras no campo e as leva pra sua mãe, Lia. Raquel, que ainda não tinha filhos e desejava muito engravidar, pede algumas. As duas então fazem uma troca: Lia dá as mandrágoras a Raquel e passa aquela noite com Jacó. É possível que Raquel quisesse as plantas por causa da fama que elas tinham, mas o texto não explica o motivo dela.
O que acontece depois é importante. Lia engravida, e Gênesis 30:17 diz que Deus a ouviu. Mais adiante, quando Raquel também consegue ter um filho, o relato diz que Deus se lembrou dela e a ouviu (Gênesis 30:22-24). Ou seja, a história não apresenta as mandrágoras como a causa de nenhuma das duas gestações.
A planta aparece outra vez em Cântico dos Cânticos 7:13, numa descrição de amor em que se fala do seu perfume. Ali, a menção às mandrágoras combina com o clima de carinho e desejo do poema. Não é um ensinamento sobre fertilidade nem uma recomendação pra usar a planta.
Então, o mais importante pra entender essas passagens é isto: as mandrágoras eram plantas às quais as pessoas da época associavam o amor e a fertilidade. A Bíblia menciona essa planta e a crença em torno dela, mas atribui a Deus — não às mandrágoras — o nascimento dos filhos de Lia e Raquel.